Vitória convincente do Corinthians em primeiro clássico da Arena

Corinthians

Primeiro dérbi da Arena Corinthians, este domingo aguardava um confronto entre duas equipes em situações bastante diferentes no Brasileirão. De um lado, um Corinthians que não perdia havia seis partidas, com um time mais arrumado e um esquema tático mais organizado. De outro, um Palmeiras que não vencia havia cinco jogos, sendo arrumado aos poucos pelo técnico argentino Ricardo Gareca. Como diferenças, a qualidade técnica do elenco, com ampla superioridade alvinegra. Em comum, o Figueirense: última derrota alvinegra, no mesmo Itaquerão, e última vitória alviverde no campeonato.

Com a expectativa de um jogo pegado, como deve ser todo Corinthians e Palmeiras, ambas equipes entraram com uma formação ofensiva. Palmeiras surpreendeu colocando, além de dois atacantes, dois volantes armadores, indicando que não se restringiria a ficar em seu campo apenas defendendo, e especialmente contando com Felipe Menezes, que na última partida na Copa do Brasil, contra o Avaí, foi destaque do Verdão. Mas ao contrário do que era esperado pela disposição dos times, nada aconteceu de mais ameaçador até os 41 minutos de jogo, quando Ralf recebeu bola de Petros e chutou, sem muito perigo para o gol de Fábio.

LEIA MAIS
Corinthians vence o clássico e afunda o rival
Veja piadas sobre a vitória do Corinthians diante do Palmeiras

De resto, um volume de jogo maior do time anfitrião, mais organizado que o visitante, que até chegava nos contra-ataques, mas sem muito perigo por causa da lentidão ofensiva. E quando o Palmeiras começou a gostar mais do jogo e se organizar melhor, equilibrando um pouco a proposta de jogo, o Corinthians fez a primeira finalização da partida com Ralf. Petros e Fagner tiveram boa participação na primeira metade do jogo, assim como Renato Augusto, enquanto Guerreiro não chegou a aparecer muito. O atacante inclusive deu um pequeno susto à torcida alvinegra quando ficou mancando no gramado e pareceu sentir a coxa, mas continuou no jogo. Aliás, ele viria a ser fundamental para o time no segundo tempo. Do lado verde, uma boa participação de Marcelo Oliveira, como de costume, fechando bem a retaguarda verde junto com Tobio, com Wesley buscando armar as jogadas, mas sem maior efeito e, principalmente, sem chutes a gol. Esse foi o desfecho da primeira metade do confronto, que merecia mais.

A partida foi outra logo no início da etapa complementar: com um passe muito bem dado por Elias, Guerreiro tocou no canto do gol de Fábio e inaugurou o placar para o Corinthians com cinco minutos marcados no relógio. Além do gol, o que se viu em seguida foi uma notória superioridade e uma chegada maior do Timão à área palmeirense, pressionando durante boa parte do restante do jogo. Ao Palmeiras, com um setor defensivo desengonçado nas investidas do rival, restava procurar uma ofensiva nos contra-ataques, visto que o time corintiano estava muito bem fechado em bloco e não permitia grandes ameaças. Somada à dificuldade com a lentidão de Mendieta e Henrique, que viriam a ser substituídos, também havia a falta de objetividade de Pablo Mouche que parecia não saber muito bem o que fazer com a bola nas vezes em que conseguia chegar à meta adversária sem impedimento.

Em relação à arbitragem, diferentemente do jogo solto no primeiro tempo, o segundo foi um bocado mais aguerrido e faltoso. Sandro Meira Ricci deixou correr na medida do possível, mas parou mais a partida na etapa complementar. Teve inclusive que separar um entrevero entre Guerreiro e Wendel porque o peruano não gostou de uma chegada mais dura do lateral, e a coisa ameaçou ficar feia quando alguns jogadores, de ambos os times, se juntaram à confusão. Resultado: um amarelo para cada lado e não se falou mais nisso.

Com a proximidade do final da partida, o Palmeiras começou a insistir um pouco mais, mas sempre com Wesley procurando espaços quase inexistentes para fazer a ligação com Victor Luis ou Felipe Menezes, quase sempre sem sucesso. Do outro lado, Wendel tentando fazer a ponte com Mouche, Renato ou Leandro, uma perspectiva ainda pior. O time chegou a ter escanteios a seu favor, mas sem ameaça alguma, mais uma vez. No final, na última troca, o garoto Erik entrou, mas apenas teve uma participação tímida, sem muito perigo. E justamente quando tentava empatar a partida, em um momento mais equilibrado da disputa, novamente Elias foi decisivo na assistência, encontrando Petros na direita aos quarenta e cinco minutos. Este chutou contra a meta de Fábio e viu a bola bater na trave, e logo depois no goleiro: dois a zero para o alvinegro. E aí, já não dava mais tempo para nada. Com a falta de criatividade verde, ficou claro que a boa vontade não será suficiente para o técnico argentino Gareca: o time precisa ser qualificado, com jogadores mais talentosos do que os que estão no elenco atualmente. Além de tudo, a chegada dos reforços argentinos não parece ainda ter trazido a boa e velha raça hermana a campo, uma fez que o Verdão ainda parece perdido e apático, especialmente quando está atrás no placar.

Com o resultado da partida, o Corinthians continua sua perseguição ao líder Cruzeiro e enfrenta o Coritiba no Couto Pereira, no próximo dia 3. Já o Palmeiras enfrenta a Fiorentina em jogo amistoso pela Copa Euroamericana na próxima quarta, e recebe o Bahia no próximo final de semana, no Pacaembu.



Redator, professor e compositor. Tive a honra de começar minha jornada no Departamento de Telejornalismo da Bandeirantes, junto a Mauro Beting. Fã dos esportes em equipe, sou um devoto dos torneios internacionais. Acredito que o futebol, como qualquer paixão, tem que ser vivido no coração e na mente. Sem excessos e com bom senso.