Veja o que Guardiola terá de fazer para seguir no topo

O técnico espanhol Pep Guardiola carrega a fama, mais do que justificada, de ser um dos melhores treinadores do mundo. Sonho de consumo de nove entre dez jornalistas e entendidos de futebol como técnico ideal para a seleção brasileira. Comandante do Bayern de Munique, terá a difícil missão de parar ingleses e espanhóis na temporada 2014/2015.

Não é exagero dizer que a tarefa de Guardiola, que já era complicada, será mais penosa pelo fato de o Bayern ser a base da seleção alemã campeã da Copa do Mundo de 2014. O goleiro Neuer, o lateral Lahm, o zagueiro Boateng, os meias Schweinsteiger, e Götze (autor do gol do título) e o atacante Müller estão lá. Fora gente como o holandês Robben, o francês Ribéry, o suíço Shaqiri, o espanhol Javi Martínez e o polonês Lewandowski, que também estão sob a batuta do espanhol Guardiola.

Na Alemanha, a tendência é que a equipe mantenha a hegemonia da última temporada. Mas no continente, são dois os principais rivais a serem batidos por Guardiola: o Real Madrid e o Chelsea.

Tanto o clube espanhol quanto o inglês se reforçaram bem após a Copa. O time de Madri, inclusive, tirou o meia Kroos do Bayern. Também têm grandes jogadores (o volante Khedira é do Real e o meia-atacante Schürrle, do Chelsea) e ótimos técnicos. Mas acredito que Guardiola será capaz de fazer frente.

Se a Copa mostrou que o “tiki-taka” da Espanha (fruto do Barcelona, logo, de Guardiola) está fadado ao esquecimento, Pep pode ainda insistir no esquema tático, ainda mais pelo fato de ter em mãos um time mais versátil do que o dos rivais.

Essa, aliás, é a chave para se dar bem. Versatilidade. Foi assim que Joachim Löw conduziu a Alemanha ao tetra. Para dar um exemplo, Lahm, capitão da equipe nacional (e do Bayern), jogou nas duas laterais e como volante com a mesma desenvoltura. Em alguns jogos, Löw jogou com um centroavante fixo, Klose. Em outros, apostou em Müller, ou Schürrle, ou Götze no papel de “falso 9”.

Até pelas contratações que vez, a tendência ofensiva do Chelsea é por um time mais estático. Fernando Torres continua. Drogba voltou e Diego Costa voltou. Já o Real tem em Benzema o jogador com maior capacidade de ser um centroavante genuíno. Mas o francês está longe de ser apenas um pivô. Na última temporada, aprontou bastante com Bale e Cristiano Ronaldo na linha de frente da equipe.

Se Guardiola conseguir repaginar o “tiki-taka” com mais dinâmica e velocidade, vai ser complicado segurar o Bayern na temporada 2014/2015!

Crédito da foto: Getty Images



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.