Veja o que Dunga precisa fazer para arrumar a seleção brasileira

Dunga

Não adianta mais reclamar. Dunga é o técnico e responsável por fazer a seleção brasileira voltar a jogar bem e meter medo nos adversários. Mas será que isso é possível, ainda mais depois da maneira como o Brasil se despediu da Copa do Mundo? Será que a goleada sofrida para a Alemanha na semifinal (como esquecer do 7 a 1) e a derrota para a Holanda na disputa do terceiro lugar. (3 a 0) vão afetar a seleção por muito tempo?

Dunga foi chamado para transformar a seleção “em time de macho”. Jogadores chorando em tudo, com nervos à flor da pele? Nada disso. O primeiro ponto que Dunga terá de trabalhar (e certamente o fará) é trabalhar melhor o emocional da equipe. Mas não só quando chegar a Copa e durante o torneio, como fez Luiz Felipe Scolari. Dunga provavelmente trabalhará a cabeça dos jogadores desde o início. Thiago Silva, dificilmente, continuará com a faixa de capitão. Ficou marcado pelo choro antes da disputa de pênaltis contra o Chile, nas oitavas de final.

LEIA TAMBÉM
Parreira rebate Dunga e defende “boné” de Neymar

Dentro de campo, as mudanças serão muitas. Se repetir o que fez entre 2006 e 2010, Dunga vai experimentar. Jogadores que pouco haviam sido cogitados na equipe devem ganhar chance. É o caso de Luiz Adriano, do Shakhtar Donetsk. Haverá renovação, palavra tão batida quanto necessária.

Com isso em curso, Dunga terá de trabalhar com afinco a parte tática. Diferentemente de Luiz Felipe Scolari, que não abria mão de um centroavante fixo na área (Fred, no caso), Dunga tem de mudar o disco. Trabalhar diversos esquemas de jogo. Com centroavante, sem centroavante, forma de atacar em bloco, troca de passes precisas e recomposição defensiva com rapidez. Praticamente o que fez a Alemanha ganhar a Copa.

Embora as diferenças sejam muitas entre Brasil e Alemanha, e até mesmo geográficas, Dunga terá de olhar para as equipes de base. Fazer o que não fez em 2010, quando ignorou a boa fase de Neymar e Paulo Henrique Ganso e deixou a dupla do Santos de fora da Copa da África do Sul. Boa parte da renovação necessária está ali e a Alemanha é prova viva que “olhar para baixo” é fundamental. Diálogo com o coordenador da base e treinador do time olímpico, Alexandre Gallo, é obrigatório.

Além de tudo isso, Dunga precisará ser rápido. Afinal, no dia 5 de setembro, a seleção enfrentará a Colômbia em amistoso, nos Estados Unidos. Quatro dias depois, é a vez do Equador, também nos EUA. E no ano que vem já tem Copa América e Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. Dunga precisa fazer mudanças. E rápido.

Foto: getty Images



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.