São Paulo tem melhor elenco no papel. Mas papel ganha jogo?

Kaká

A (re)estréia do Kaká com a camisa 8 do São Paulo foi muito boa, com ótima movimentação, arrancadas, bastante chutes ao gol, envolvimento em quase todas as jogadas de ataque do time paulista e o gol. Mas seria tudo muito lindo, e estaríamos aqui falando em um tom diferente comemorando a vitória são paulina na reestreia do melhor do mundo de 2007.

Falemos agora da partida, que ofuscou a estrela do São Paulo. O time do São Paulo hoje é um dos melhores elencos do nacional, não o primeiro. E a pergunta que todos jornalistas, todos que acompanham o futebol fazem é: ‘Porque o futebol do time do São Paulo não sai do papel?’. É um time muito bom no papel se analisarmos friamente, com um setor defensivo com bons jogadores como Antonio Carlos, Rafael Tolói, Souza, Alvaro Pereira. Um meio campo muito forte, no papel, principalmente na parte ofensiva com Kaká e Ganso nas armações. E um ataque que todo treinador gostaria de ter o problema de escalar com astros do naipe de Luís Fabiano, Alexandre Pato e Alan Kardec.

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Mas é apenas no papel. O futebol não aparece. Erros e mais erros sendo cometidos nos custando pontos e mais pontos. Contra o Chapecoense o time não conseguiu furar uma retranca muito bem armada e tomou um gol de um volante do time verde. Ontem no Serra Dourada foram dois gols de bolas paradas, que é inaceitável para um time profissional e ainda mais que é treinado pelo Muricy Ramalho que ganhou 3 títulos brasileiros somente com essa arma. Os gols aconteceram por falhas da defesa. O primeiro o jogador esmeraldino Amaral subiu sozinho e acertou uma linda cabeçada no angulo, e já no segundo gol, logo no início do segundo tempo aconteceu um escanteio e por mais uma falha da zaga o jogador Amaral, sim ele de novo, subiu entre 3 zagueiros tricolores e cabeceou para o meio da pequena área onde outro jogador do time do Goiás completamente sozinho apenas completou para as redes.

Kaká teve uma boa atuação. Com a formação que entrou em campo, o time do São Paulo para mim, apenas precisa de ritmo e entrosamento. O meio campo que é o encarregado de servir bolas ao ataque e também chegar para concluir, era muito concentrado em apenas um jogador que era o Paulo Henrique Ganso. Mas agora com Kaká ao seu lado, Ganso pode se ausentar do jogo quando estiver muito marcado e deixar o novo camisa 8 com liberdade para encostar no ataque. Ganso é um jogador que tem um dos melhores passes do Brasil, e mesmo marcado consegue passes decisivos, mas não é tão explosivo em campo quanto Kaká. Por isso quando Ganso estiver marcado, podendo abrir espaço para Kaká progredir com a bola como gosta, o time do São Paulo será muito ofensivo e perigoso. E quando o jogo estiver com espaços para Ganso jogar como alguns times deixam, Kaká pode abrir em um dos lados como um ponta pois é muito veloz e tem um belo arremate tanto de perto quanto de longe.

Mas pensar nisso, colocar no papel, imaginar, se ver campeão do Brasileiro 2014 não adianta. O que realmente faz a torcida feliz é ouvir o apito final com o time em vantagem. Sair com 3 pontos. Seja por 1 ou 5 de diferença. Seja fácil ou difícil. Mas que vença.

O time do Morumbi nessa volta após a Copa do Mundo, teoricamente teria 5 jogos para fazer 15 pontos (Bahia, Chapecoense, Goiás, Criciúma e Vitória, sendo apenas os Bahia e o Goiás fora de casa). 5 jogos onde qualquer pessoa colocaria o time do São Paulo como favorito pelo elenco que tem e a força que mostra no campeonato desde que se tornou em pontos corridos, claro com exceção do ano passado que para nós foi muito cruel. Eram 5 jogos para 15 pontos, e colar no líder Cruzeiro. Mas 3 se passaram e 6 pontos já foram jogados fora. Seriam ideais essas 5 vitórias para chegar, e muito bem, no clássico contra o Palmeiras no Pacaembu. Seria um São Paulo em alta, contra um Palmeiras questionado. Mas parece que está igualado. Ao meu ver será um São Paulo que apenas é forte no papel, contra um Palmeiras que ainda tenta se estruturar com vários argentinos.

Próximo jogo agora é pela Copa do Brasil, contra o Bragantino fora de casa. Não penso que tenhamos obrigação de ganhar, mas sim apenas de não perder. E caso isso aconteça, que seja uma derrota com gols e uma pequena diferença. Pelo nacional de pontos corridos, o próximo jogo é contra o Criciúma de Paulo Baier e companhia que deve assim como a Chapecoense deverá vir fechado explorando os contra ataques, num dia que teremos o reencontro de Kaká com a torcida tricolor no Morumbi. Promessa de casa cheia no dia 2 de agosto as 18h30.

Eu sinceramente espero, assim como todo são paulino, que o time do São Paulo deixe de ser apenas ‘um elenco forte’ e se torne um candidato real ao título junto ao Cruzeiro e Corinthians.

Por hoje é só galera, mas com o andar do ano, irei fazendo análises nos dias que antecedem os jogos, e uma outra análise essa sim do jogo propriamente dita ou logo após o jogo ou no dia seguinte.



Jovem estudante de jornalismo, com quase 20 anos de vida e todos eles amando o futebol. Escrevo com a razão se sobrepondo sobre a emoção mas não deixo essa esquecida. Gosto de qualquer outro esporte que esse mundo possa nos apresentar, e procuro conhecer as suas regras primárias. Exponho as minhas opiniões sobre diversos assuntos e espero ajudar no entendimen