Robinho não vale esforço financeiro de clubes brasileiros

Há muito tempo, Robinho não tem mostrado aquele futebol que assombrou o Brasil em 2002. Naquela época, Robinho era uma promessa, um atacante franzino e abusado que pedalava para cima de qualquer marcador. Hoje, aos 30 anos, tem tudo para ser negociado pelo Milan sem deixar saudades.

Pela bola que vem jogando há muito tempo, Robinho não justifica o investimento que teria de ser feito por Santos e Flamengo, principais times brasileiros interessados em seu futebol. A pedida salarial assusta. Há quem afirme, há quem negue, mas os valores se aproximam de R$ 1 milhão. Por mês. Muito para um jogador que está sem espaço no futebol europeu.

Quando deixou a Vila Belmiro, em uma conturbada negociação em 2005, Robinho foi para o poderoso Real Madrid. Não se firmou de imediato, teve problemas e forçou a transferência para o Chelsea. Foi parar na Inglaterra em 2008, mas no Manchester City.

Lá, também não conseguiu se firmar. Em 2010, voltou ao Santos por empréstimo e, ao lado de Neymar e Ganso, foi bem. Mas a estrela já era Neymar, assumidamente seu fã e mais completo que o ídolo. Após a Copa, foi para o Milan, onde não demorou a ser envolvido em rumores de retorno ao Brasil.

Com a camisa da seleção, Robinho foi reserva na Copa de 2006. Foi importantíssimo na Copa América de 2007 e se tornou um dos principais jogadores para a leva de 2010. Foi titular no Mundial da África e, pela experiência, não seria absurdo estar entre os 23 que jogariam a Copa no Brasil. Mas perdeu a chance.

Resumindo: Robinho é excelente jogador, porém, com custo-benefício caro demais para qualquer clube do Brasil. Não vale o que pede e não tem justificado há anos o que esperam os times que abrem negociação para ter seu futebol.

Assim, a tendência é que, caso saia mesmo do Milan, pare em centros periféricos da Europa, como Grécia e Turquia (Olympiacos e Besiktas, respectivamente, já demonstraram interesse) ou nos Estados Unidos, onde o Orlando City FC, que comprou Kaká, cogitou o Rei das Pedaladas. Se continuar pedindo alto, dificilmente Robinho voltará tão cedo ao Brasil.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.