Pra ser santista agora você tem que pagar pay-per-view

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Como entender a coerência na escolha dos jogos do Brasileirão nas TVs aberta e fechada? Imagina esse caso: você é torcedor do Santos, sócio do clube, gosta de ir assistir a jogos de futebol no estádio mas, agora tem um filho pequeno. O que lhe resta pra acompanhar seu time do coração? Assistir os jogos pela TV é claro!

Aí você chega em casa no sábado (26), depois de passar o dia fora e pensa “bacana, 18h30 tem jogo do peixão!”.

O seu filho está calmo e você tem aquele plano de TV por assinatura HD, sintoniza na Sportv e dá de cara com… Cruzeiro X Figueirense.

Mas por que não vai passar se o jogo é em Santos?“, você pensa.

Fica bravo, mas pega o celular e acompanha pela internet (fazer o que), se contenta em acompanhar o “tempo real” e com o vídeo dos gols online.

No dia seguinte, senta tranquilamente no sofá as 16h e pensa “o jogo da TV deve ser do time do Morumbi, certo?”, errado! É o clássico que está acontecendo no Itaquerão.

“Mas o clássico da mais audiência”, diria o outro (diretor da Globo, ou torcedor do Corinthians – provavelmente ambos). Pensando assim, na partida de Goiânia tem a reestreia do Kaká nos campos brazucas.

Lembro que nos anos 90 os jogos que seriam exibidos pela televisão (Globo ou Band) eram determinados pelo local da partida e/ou do estado do time que está jogando.

Por exemplo: se tem um jogo em Santos outro em Belo Horizonte, a transmissão seria do jogo de Santos (ao menos para o estado de São Paulo). E se no dia seguinte tem uma partida em Goiania e outra em São Paulo, o jogo da televisão seria o de Goiânia.

Era um incentivo para o torcedor ir ao estádio, “comprar” o jogo pelo pay-per-view ou até mesmo ir a um bar assistir a partida.

Agora é escolhido exclusivamente (e sem direito a veto de ninguém) pela Globo.

Não estaria aí um dos motivos de termos a 15ª média de público do mundo, atrás da SEGUNDA divisão alemã e do “Chinezão”?

Acho que vale uma discussão sobre qual o caminho nosso campeonato está sendo levado com essa falta de critério nas escolhas sobre transmissão de futebol.

Na NFL (liga de futebol americano), por exemplo, a escolha é feita pelo “maior média de público no último jogo em casa“. Sim, trocando em miúdos, se seu time lotou o estádio na rodada anterior, você tem preferência de transmissão no jogo das 16h do domingo, por exemplo.

Não seria mais coerente? Incentivariam os torcedores a irem mais aos estádios, os times teriam mais sócios (atrás dos incentivos a ingressos), as receitas dos clubes aumentaria e, consequentemente, o peixão poderia trazer o Robinho na próxima janela de transferência.

Utopia? Não, eu diria coerência.

 



Curador de cultura (in)útil, tech-lover, web-addicted, social crazy, fundador da @newidbr, pai do Luca e santista nas horas vagas.