Opinião: Time de “semicraques” dominam o futebol mundial

Responda rápido: qual é o craque da seleção da Alemanha, que goleou o Brasil por 7 a 1 na semifinal e venceu a Argentina na final da Copa do Mundo? E da Espanha, que venceu o Mundial há quatro anos? E do Cruzeiro, líder isolado do Campeonato Brasileiro? Talvez você saiba qual era o grande jogador do Corinthians que ganhou tudo entre 2012 e 2013. Não? Não se preocupe, leitor. Não há nada de errado.

Esses times evidenciam algo que está cada vez mais forte no futebol atual: a união de vários “semicraques” no lugar de uma estrela. A final da Copa foi prova disso. De um lado, a Argentina de Lionel Messi, quatro vezes escolhido pela Fifa como melhor jogador do mundo. Do outro, a Alemanha. Schweinsteiger, Lahm, Neuer, Götze, Kroos e Müller nunca concorreram à Bola de Ouro da Fifa, embora sejam, sem discussão excelentes jogadores. Mas juntos foram de eficiência que superou, de longe, o talento individual de Messi.

E a Espanha de 2010? Casillas, Xavi, Iniesta e David Villa formavam um timaço. E quem era o craque, que brilhava? Ora Xavi, ora Iniesta, ora David, ora o zagueiro Puyol… E por aí vai.

Essas equipes representam o triunfo do coletivo do coletivo sobre o individual. Operários em prol do bem comum, que é a vitória. Sem vaidades, nem estrelismo. O craque é o time inteiro, como um todo. Vários “semicraques” juntos.

Basta ver o Cruzeiro. Vários bons jogadores estão lá, alguns com nível de seleção brasileira, como o goleiro Fábio e o zagueiro Dedé. Mas o craque, ou melhor, o operário que mais vem se destacando no time é Ricado Goulart. O Corinthians, campeão da Taça Libertadores e do Mundial de Clubes da Fifa era igual. Cássio, Alessandro, Ralf, Paulinho e Guerrero formavam uma equipe equilibrada e bem treinada por Tite. Mas nenhum deles, de fato, era um gênio. Quando chegou Alexandre Pato, esse sim com jeito de estrela, o time desandou.

Não é preciso ter um craque para se dar bem. É preciso ter um time, no sentido pleno da palavra. Sem vaidades, sem estrelinhos. O futebol já cansou de provar que 11 operários, semicraques, juntos valem mais do que um único talento.

Foto: Getty Images



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.