Opinião: Reformulação do futebol brasileiro tem de passar pela várzea

várzea

A copa do Mundo de 2014 deixou aparente a necessidade de se renovar o Futebol Brasileiro. Porém, esse processo precisa ir além das exigências fiscais. É essencial olhar para o potencial transformador que qualquer esporte tem. E a partir daí fazer dele uma ferramenta de socialização e integração entre as pessoas. Talvez esta seja uma visão utópica, mas nunca nossos grandes centros precisaram tanto de campos de várzea.

Os campos de várzea no passado nos deram além de tardes agradáveis ao lado dos amigos, comendo poeira no alambrado do “Terrão”, bons craques, alguns dos maiores jogadores da história deste país vieram de lá, Tostão, Cerezo e Pelé por exemplo. Hoje estes campos estão sumindo, constroem-se a cada dia mais shoppings – estádio de futebol hoje em dia tem shopping – e criam-se menos opções de lazer gratuito. Divertir-se atualmente parece ter se tornado sinal de status e não algo… Divertido.

Não há construção que comece pelo telhado, a reformulação tem de ser feita a partir da base do futebol nacional. Caso contrário daqui a algum tempo estaremos na mesma situação dos dias atuais, abalados e assustados por alguma goleada – humilhante – sofrida pela nossa seleção. É preciso ter vontade e coragem para investir e mudar.

O Brasil não deixou de ser o país do futebol, por causa de um resultado ruim. Isso não acontecerá, nada é tão forte em nossa identidade nacional quanto futebol e samba. Só é preciso que os homens que cuidam do esporte relembrem que ele [O Futebol Brasileiro] sempre foi de todos, e não apenas de quem dá conta de pagar o ingresso.