Opinião: Não dá mais para cochilar, Galo

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Com um futebol confuso e um lado esquerdo completamente desarticulado, o Atlético-MG foi batido pelo Sport na Ilha do Retiro. O resultado é ruim para as pretensões do Galo, que sonha ao menos com uma vaga na Taça Libertadores do próximo ano, mas pode servir para algumas mudanças.

Coma saída próxima de Ronaldinho – deve ser confirmada hoje – o Galo vai precisar reinventar sua forma de jogar. É certo que o meia não vinha atuando bem nas últimas partidas, mas um jogador da qualidade do R10 sempre preocupa as defesas adversárias, tarefa que agora deve ficar com Diego Tardelli. O atacante foi um dos poucos pontos positivos na partida contra o Sport. Ele se movimentou, chamou o jogo e foi coroado com o gol.

Outro ponto positivo foi a atuação de Réver. Infelizmente na única falha que cometeu – ele e Leonardo Silva, bateram cabeça – saiu o segundo gol da equipe pernambucana. O zagueiro Durval foi levando a jogada no peito e, na raça, praticamente deitado bateu para marcar, com Victor sem poder fazer nada. Marcos Rocha foi outro ponto positivo da equipe. O lateral direito lutou, marcou e apareceu na área para finalizar, infelizmente sem sucesso.

Já na outra lateral, Emerson Conceição não vivia uma tarde feliz. O jogador deixava espaços para as subidas do ataque adversário e não conseguia ser efetivo no apoio. Se na decisão da Recopa ele conseguiu ir melhorando durante a partida, o mesmo não aconteceu contra o Sport. O lado esquerdo foi uma verdadeira avenida por onde aconteceram algumas das principais jogadas de perigo do Leão.

Manter o lateral esquerdo em campo talvez tenha sido o maior erro de Levir Culpi na partida. O treinador tentou modificar a movimentação da equipe colocando Luan e Dátolo no jogo, mas quando todos esperavam que deixasse Jô – que também não vinha bem, mas é homem de referência no ataque – e tirasse Conceição, ele fez a inverso. Talvez nos últimos minutos, a ausência de um bom cabeceador não tenha dado melhor sorte ao Atlético-MG. O treinador parece ter se arrependido da substituição e colocou André, faltando pouco para a partida terminar.

É preciso acordar

O treinador Levir Culpi parece ainda estar avaliando os atletas do elenco atleticano e os jogadores se adaptando a ele. É preciso lembrar que este grupo teve por quase três anos o mesmo comandante, Cuca, que instituiu a “bagunça organizada”, como ele e os jogadores chamavam o esquema de jogo e agora chega outra filosofia de trabalho – digo agora, por que com Paulo Autuori o time esteve no Limbo – e vai demandar algum tempo até que assimilem de fato o estilo do treinador.

Apesar de tudo isso ser compreensível, não há tempo a perder. O Atlético-MG precisa logo começar a jogar bem e encostar no G4, para ter condições de brigar pelo título ou até mesmo por uma vaga na Libertadores do próximo ano. O 1º turno tem ainda sete jogos, Atlético Paranaense (casa), Palmeiras (casa), Figueirense (fora), Flamengo (fora), Inter (casa), Coritiba (fora), e Botafogo (casa). É preciso ao menos garantir os doze pontos como mandante, caso o time queira voltar a cantar de Galo neste Brasileiro.

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