Opinião: Galo mostrou que é forte e vingador!

Créditos: Getty Images

Há exatos 365 dias, diante de um Mineirão lotado, a bola do quinto (que acabou sendo também o último) pênalti do Olímpia explodiu na trave direita de Victor.

Daquele momento em diante, o Galão da Massa se tornava o nono time brasileiro a conquistar o principal torneio continental das Américas. Mais do que isso, o Atlético-MG acabava com uma espera por um grande título que se arrastava desde 1971.

Ali começava uma caminhada cheia de obstáculos. Sendo o primeiro, bem complicado: ter de assistir à final do Mundial pela televisão.

A derrota para o Raja Casablanca foi uma ‘ducha de água congelante’ no torcedor atleticano. O time marroquino não somente eliminou o Atlético-MG da competição quando ninguém esperava, como praticou um futebol envolvente, de toque de bola rápido e veloz, que acabou dando chances irrisórias à Ronaldinho e companhia.

Aquela partida gera pesadelos ainda piores quando se lembra que no primeiro tempo, enquanto o duelo ainda estava empatada em 0x0, os comandados de Cuca perderam um ‘caminhão’ de gols, que poderiam mudar completamente o destino daquele triste dia de dezembro.

No final das contas, o terceiro lugar, conquistado a duras penas, em um jogo eletrizante contra os chineses do Guanghzou Evergrande, ficou com um gosto de “podemos mais, não estamos aqui por acaso”. Afinal, apesar da pouca tradição futebolística do país de origem do adversário, este, comandado pelo endiabrado argentino Conca, deu mais trabalho do que se imaginava e forçou o Galo a arrancar uma virada nos últimos minutos do duelo.

Quando 2014 começou, já sem Cuca e com Paulo Autuori, as expectativas continuaram grandes, já que uma nova Libertadores surgia no horizonte e, na teoria, o Galo era o time a ser batido.

Porém, os dois empates sem gols contra o maior rival na final do Campeonato Mineiro, com o time apresentando desempenho bem abaixo do que se esperava, frearam bastante os ímpetos.

Por mais que se quisesse manter um otimismo, a eliminação precoce na Libertadores, semanas depois do vice no Estadual, foi um choque de realidade à torcida, que além de ter de voltar a escutar as piadinhas habituais, não conseguia enxergar um time em campo, mas sim, um catado de jogadores comandados por um técnico ultrapassado e sem nenhum tipo de comando.

A situação estava tão feia, que não foram poucos os que consideraram a ressurreição de Levir Culpi como a salvação da lavoura. Nunca se ouviu tantos “agora vai” na Cidade do Galo do que nessa época. Não sei quantas dessas afirmações eram legítimas demonstrações de confiança ou se eram pura ironia. Eu, sinceramente, fico com a segunda suposição.

Aí veio a Copa do Mundo e 40 dias de pausa. Quando voltamos, já não tinha Fernandinho, mas tinha um Lanús logo de cara. O mesmo Lanús que encurralou covardemente toda a delegação do Atlético naquela fatídica final de Copa Conmbebol de 1997, e agrediu-nos sem piedade dentro do gramado, só por termos ganhado, naquele mesmo gramado, o título da competição.

E então o futebol mostrou como é cíclico. Exatamente um ano depois dos dias mais dourados da história recente atleticana, o time tinha a chance de encerrar com honra o período de conquistas continentais. E contra um adversário que, em um passado não tão distante, por não saber ganhar, não soube perder.

Como há 14 anos, mais uma vez o Vingador foi implacável. No jogo de ida uma apresentação digna do tamanho dessa camisa. Vitória magra, por 1 x 0, mas incontestável. Na volta, 7 gols, virada, gol no último minuto, prorrogação, dois gols contra e a revirada final.

Que lindo, que épico. Que merecido. Como disse Luan, um dos heróis da noite, que por sua vez, parafraseou Cristiano Ronaldo:

eu to aqui!

Nós estamos aqui. Com honra, como deve ser. Porque é o Galo forte, é o Galo doido, é o Galo da Massa. E a massa acordou campeã, mais uma vez. Mais uma vez a América é nossa!

Crédito da foto: Getty Images



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...