O que o futebol é na sua vida?

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Esses dias, me peguei pensando sobre o papel que o futebol tem em nossas vidas. A sociedade tem certa necessidade de dividir, classificar e rotular tudo que acontece ou existe no mundo. Se as pessoas encontrarem palavras em inglês para definir algumas dessas coisas, melhor ainda. Mas o futebol é mais difícil de encaixar numa dessas definições. Responda rápido: o futebol (torcida, não prática), para você, é um trabalho, crença, hobby, doença, lazer, distração? Quando pensei nisso, não consegui encaixar em nenhuma dessas categorias.

O futebol é, como muitos jornalistas, cronistas, escritores e românticos de todo gênero já tentaram explicar, incompreensível racionalmente. Por apelar para nossas emoções básicas, tanto as negativas quanto as positivas, escapa às definições comuns. Questionar sua definição é questionar também o porquê de suas características principais, buscar o motivo pelo qual ficamos alegres ou tristes pelo resultado de um jogo protagonizado por pessoas que nem fazem parte de nosso círculo social.

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Quem gosta de futebol provavelmente foi influenciado desde a tenra infância a acompanhar e/ou praticar o esporte. Das poucas lembranças que tenho da época em que era morava no Rio Grande do Sul, até os cinco anos de idade, algumas são da minha camisa do Inter, da influência do meu pai para eu torcer pelo Palmeiras (além do Colorado, é claro) e eu chutando uma bola na rua. Você pode até saber definir o momento no qual passou a gostar de futebol com mais afinco, mas dificilmente se lembrará de quando realmente começou a se relacionar com ele.

Por adentrar em nossas vidas desde nossos primeiros anos (ou meses), o futebol acaba se diferenciando das outras coisas que fazem parte de nosso cotidiano. Parece uma categoria em si: temos momentos de trabalho, de lazer, de sexo, de alimentação e… de futebol! Para quem gosta, acredito que essa seja a definição mais próxima. Para aqueles que não gostam, pode ser besteira, fanatismo, perda de tempo, distração ou, a definição mais estúpida de todas, “apenas vinte e dois homens correndo atrás de uma bola”.

Mas se até para nós, fanáticos por futebol, é difícil defini-lo, não vamos cobrar daqueles que o rejeitam uma definição mais justa. Futebol é parte de nossa vida, quase tão profunda a ponto de ser inerentemente humana. Não à toa o filósofo francês Albert Camus disse uma vez que “tudo o que eu sei sobre os homens, aprendi com o futebol”.



Jornalista formado pelo Mackenzie. Fã de futebol, tanto nacional quanto europeu.