Opinião: O erro do Fluminense ao mudar o valor dos ingressos

zueira
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Durante as primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, o Fluminense foi responsável pelas maiores médias de público e pelo maior público do campeonato, cerca de 45 mil pessoas, fruto da sua estratégia de precificação.

No mês de abril, o gestor de arenas do Fluminense, Carlos Eduardo Moura, confirmava que mais importante do que o valor publicado nos borderôs de jogos como receita era a imagem do clube e o compromisso com o torcedor, seu principal ativo.

Então, baseado no contrato que possui com os gestores do Maracanã que lhe permite a receita dos setores atrás do gol, o Fluminense então lançou sua tabela de preços para o Campeonato Brasileiro:

  • Clássicos a R$ 30
  • Jogos contra equipes de São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul a R$ 20
  • Demais jogos a R$ 10

A ideia era retomar o hábito do torcedor carioca ao Maracanã, que por conta de diversos motivos, como os péssimos jogos do campeonato, falta de estrutura e atrativos, acabou trocando o futebol para outros entretenimentos – ou até mesmo o pay-per-view.

Tal estratégia era ousada, e inovadora, já que iria na contramão de todos os clubes e discussões a respeito de precificação nas novas arenas, bem como na atenção aos torcedores que não são fanáticos e que necessitam de uma atenção mais do que especial haja vista o detrimento do futebol brasileiro.

A torcida acreditou no projeto. Compareceu em grande número (o Fluminense já possui a terceira maior média do campeonato, lembrando que o Maracanã esteve fechado) e isso também gerou um resultado financeiro atrativo, já que em quatro jogos a receita líquida foi de R$ 673 mil.

Porém, alguns meses após a definição da estratégia e o compromisso firmado com os torcedores, a diretoria do Fluminense voltou atrás e admitiu a possibilidade de repensar os preços cobrados com a desculpa de desfavorecimento ao sócio-torcedor.

“Por que um sócio-torcedor pagaria R$ 35 por mês para frequentar o Maracanã enquanto o torcedor comum paga apenas R$ 10?”

Acredito que a nova diretoria de marketing do Fluminense (já que nos últimos meses ocorreu algumas transições e o assunto de precificação gerou a demissão do gestor de Arenas) tenha errado muito em trazer a tona essa discussão no meio do campeonato. Não pelo simples fato do ingresso caro x ingresso barato, mas pela falta de uma diretriz e um planejamento de longo prazo em relação a precificação e estratégia de abordagem com seu torcedor e diferentes perfis.

Existem muitas formas de prestigiar o sócio-torcedor fora a compra de ingressos, e a Copa do Mundo nos mostrou isso.

A criação de experiências diferenciadas e personalizadas, aproximação com o clube e outras ações como descontos e prioridades poderiam ser abordadas de modo que esse torcedor não se sentisse esquecido, e mais, possibilitasse que o torcedor comum enxergasse maiores vantagens em se tornar sócio. Além, é claro, do jogo.

O Fluminense, que havia se diferenciado dos 19 clubes da Série A ,voltou a vala comum, prestigiando apenas o torcedor fanático, enquanto nós, simples mortais, voltamos para a sala de estar e o pay-per-view.

Crédito da foto: Getty Images



Empreendedor, formado em Administração e Gestão de Projetos. Acha que a assistência é mais importante que o gol e sempre quis ser um camisa 10, mas foi no máximo a 2. Enxerga o esporte mais do que as quatro linhas, acredita ser um negócio, uma manifestação social, uma experiência única. Espera transformar o futebol brasileiro em uma Champions League.