Opinião: Luxemburgo é o mesmo. Flamengo também

Luxemburgo

Projeto, estrutura, planejamento. Bateu campeão, pertence e contexto. Esses são trechos-chaves que Luxemburgo se acostumou a usar em suas entrevistas e na primeira coletiva em sua volta ao Flamengo, seu clube de coração, não foi diferente. Luxa chegou como sempre chega: esbanjando simpatia, perguntando sobre repórteres antigos, sorrindo e dizendo-se honrado em voltar ao clube.

Fora do futebol desde que foi demitido do Fluminense no ano passado, Luxemburgo dedicou o tempo desempregado à família. Viu futebol, e claro, a Copa do Mundo, que comentou pela Fox Sports. E surpreendeu ao dizer que “não viu nada de diferente, nada de novo” nas atuações dos times. Velhas convicções que são compartilhadas por quase 100% dos treinadores brasileiros. Fingir que não viu ou, pior, não ter visto a nova forma de jogar dos bons times que a Copa apresentou deve preocupar os torcedores rubro-negros.

O que não deve ser motivo de preocupação é a situação de André Santos e Elano. Dizendo que a diretoria já resolveu anteriormente os casos, Luxemburgo deixou nas entrelinhas não contar com os dois, apesar de Elano ter ido à campo normalmente na primeira atividade comandada pelo treinador. Ambos já foram treinados pelo técnico mas parecem não ter mais clima para continuar no Flamengo.

Como da última vez, apontou a necessidade de se treinar no CT para fincar raízes, citando clubes como Corinthians, São Paulo e Atlético Mineiro, “onde ajudou a construí-lo”. Mas não descartou voltar à Gávea, ideia requisitada por sócios e conselheiros.

O treinador também se manifestou sobre a situação do time, lanterna do Brasileirão, ressaltando que quando chegou em 2010, o clube estava ameaçado e só tinha poucas rodadas para se safar, o que acabou acontecendo. Dessa vez, há ainda um turno e meio de disputa o que, para o treinador, é motivo de tranquilidade. E lembrou que ainda têm chances de almejar algo mais.

“Não vou dizer que é um título (escapar do rebaixamento). Não tenha dúvidas de que o momento é de sair dessa confusão. O São Paulo, como eu disse, viveu essa situação. O Flamengo campeão brasileiro, virou o turno em 14º, 15º… Acho que vai acontecer coisa boa”.

Sobre reforços, perguntado se gostaria de um Robinho ou de um Kaká, esquivou dizendo que contratação é assunto interno e mostrou acreditar no elenco.

“Vamos trabalhar com esse grupo para buscar os objetivos do Flamengo. Daqui para frente, os jogadores têm que entender que faltam 27 rodadas e precisamos pensar em alguma coisa boa. A derrota ofusca muita coisa. Esse grupo ganhou a Copa do Brasil e o Estadual. Acabam esquecendo as coisas boas. O momento é de sacrifício, comprometimento…Falam que o elenco é fraco, é isso ou aquilo, mas a resposta vem nos 90 minutos”.

Ao ser indagado sobre o apoio à ex-presidenta Patrícia Amorim nas eleições de 2012, quando a atual administração acabou sendo eleita, disse ser profissional e que o voto é pessoal, exaltando os atuais dirigentes terem sido democráticos ao contratá-lo, elogiando a atual direção.

“Acho que o Bandeira e seu grupo e estão bem no clube e não tenho porque não trabalhar com ele… São pessoas preparadas e entendem democracia. Minha defesa hoje é pelo Flamengo e pelo grupo. Fico feliz de ter contribuído com o CT e espero dar sequência, não com a Patricia mais, mas com o Bandeira. Quero trazer benefício, sem ser egoísta ou em ficar preocupado em ser mais importante”.

Por fim, não hesitou ao falar sobre a antiga gestão. “Votei na Patrícia e não me arrependo. É democracia”.

Na primeira entrevista coletiva, Luxemburgo mostra que volta o mesmo que saiu e sabe que encontrará pela frente, um clube não muito diferente. Dispõe de pouca estrutura e planejamento e apresentar um projeto para bater campeão é missão improvável. Pertence ao contexto do futebol, certo?

Crédito da foto: Divulgação



Carioca, bacharel em Direito e bacharelando em Jornalismo pela FACHA. Não escolheu o jornalismo mas foi escolhido por ele. Sonho profissional: casar com a editoria de esporte e ser amante das páginas de política. Resumidamente, um cronista do cotidiano, comentarista do dia-a-dia e palpiteiro da rotina.