Opinião: 27 medalhas não salvam o esporte olímpico

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O COB inovou, mas não estamos falando de novos centros esportivos, nova filosofia esportiva ou até mesmo um simples apoio aos atletas que já estão aí.

O Comitê Olímpico Brasileiro resolveu estabelecer uma meta para 2016: 27 medalhas ou estar entre as 10 primeiras delegações. Mas isso não salvará o esporte olímpico.

A pergunta que não quer calar é: De onde tirar essas medalhas? Podemos considerar que: sendo país sede, estamos classificados para todas as modalidades em disputa, não precisamos participar de pré-olímpicos e buscar índices, isso faz com que os atletas apenas se concentrem em disputar os jogos.

Porém, a pressão psicológica que os atletas poderão sofrer, disputando em casa, como vimos durante a copa com nossa seleção, poderá afetar negativamente.

Assim acredito que o vôlei traga quatro ou cinco medalhas, o futebol mais duas, handebol poderá trazer uma, o basquete dificilmente trará alguma. Por outro lado, a natação pode ser nosso cargo chefe e trazer umas seis medalhas, a vela pode nos dar umas três e o atletismo, se conseguir uma, será um feito digno de caminhão de corpo de bombeiros.

Qualquer outra conquista vejo como uma grande zebra. Assim sendo, vejo que hoje temos condições reais de trazer 18 medalhas, isso sendo otimista. A verdade é que o COB quer sim fazer bonito em 2016 e mostrar o quanto o esporte brasileiro cresceu com os jogos aqui.

Mas enquanto isso, vemos atletas correndo contra o tempo, sem estrutura, dinheiro ou incentivos para competir, ralando muito para conquistar um espaço e muitas vezes de formas heroicas, como foram as meninas do handebol ano passado.

O problema do esporte no Brasil é o mesmo da nossa educação: se o esporte for alinhado as escolas e vice e versa, como funciona nos EUA, onde o atleta obrigatoriamente passa pelas universidades antes de competir, quem sabe podemos fazer estimativas menos falsas e mais coerentes com o talento dos nossos atletas.

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