Uma Copa feita à base de chutes, pontapés e sangue!

Há praticamente 30 dias do início da Copa do Mundo, eis que olhamos de 2007,quando o Brasil foi escolhido como país sede, para cá e temos muitos fatos a lamentar.

A organização do evento e as reformas de infraestrutura que, ainda que não mudassem o país da noite para o dia, seriam capazes de melhorar o dia a dia de muitos cidadãos, ficaram apenas no papel. Os estádios construídos e reformados para o Mundial se tornaram elefantes brancos ou, ainda que frequentemente utilizados para jogos de futebol, cobram ingressos que impedem o torcedor comum de ir torcer in loco para o seu clube do coração.

Jérôme Valcke, secretário-geral da FIFA, não cansa de dar declarações na imprensa que agridem o Brasil e a maneira como esta Copa do Mundo está sendo realizada. O pior é que não é só no plano internacional que este evento já está manchado, internamente também. Quem não lembra dos protestos do ano passado contra a Copa (das Confederações e do Mundo)? Quem não lembra das mortes nos hospitais, dos engarrafamentos, das merendas estragadas que todo dia vemos, lemos ou ouvimos na mídia?

Tudo isso, de alguma maneira, contribui para a Copa perder a graça. Valcke disse, certa vez, que o Brasil precisava de um pontapé para acelerar as obras para a Copa. Bem, o tempo passou e as coisas ainda não estão prontas. Mas a gente sabe que quando a bola rolar tudo estará no seu devido lugar.

A questão é o preço a ser pago por isso. Andar mais rápido com uma obra pode custar a vida dos trabalhadores, como a de Mohamad Ali Maciel Afonso, o 9º operário morto desde o início das construções dos estádios no Brasil para a Copa.