UFC torce para derrota de Jon Jones; entenda

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O norte-americano Jon Jones caminha a passos largos para se tornar tão dominante (ou até mais) do que foi Anderson Silva no UFC. Se o brasileiro parou nas 10 defesas seguidas de cinturão dos médios (84 kg), Jones se encaminha para o oitavo combate em que coloca o título dos meio-pesados (93 kg) em jogo.

Jones chegou ao patamar que nenhuma organização de lutas, creio eu, deseja: estagnar uma categoria, isto é, não ter mais adversários. Até conquistar o cinturão, em 2011, o título rodou bastante, mas se sentiu confortável nos ombros do norte-americano. Ombros e cotovelos, que são as maiores armas de Bones.

Assim estava a divisão dos médios antes de Chris Weidman bater Anderson Silva em julho do ano passado. Tanto é que se cogitaram superlutas entre o Aranha e o então soberano dos meio-médios (77 kg) Georges St-Pierre e o próprio Jon Jones em pesos casados. Com desafios cada vez menores, não é de hoje que se comenta que, mais dia ou menos dia, Johnny Bones migrará para os pesados (120 kg).

Por isso, Dana White e toda a cúpula do UFC deve cruzar os dedos e fazer uma fezinha no sueco Alexander Gustafsson, confirmado como próximo desafiante ao cinturão dos meio-pesados. Ele e Jones já se enfrentaram no UFC 165, em setembro do ano passado. O campeão levou a melhor, nos pontos. Mas o nórdico mostro que o rei é possível de ser deposto.

Primeiro porque ambos são gigantes. Jones tem 1,93m de altura, mas impressiona mesmo nos 2,15m de envergadura, o que lhe dá uma vantagem colossal na trocação. Diante do brasileiro Glover Teixeira, no último dia 26 de abril, o americano chegava a esticar o braço e encostar o punho na testa do brasileiro para manter a distância, sem maiores problemas.

Isso não aconteceu na primeira luta contra Gustafsson. O sueco é pouca coisa mais alto (1,94m) mas tem envergadura um pouco menor (1,96m), mas o tamanho já equilibra as coisas. Fora a habilidade do europeu, que foi o primeiro lutador a conseguir levar Jones para o chão.

Fora a rotatividade do cinturão, o que sempre movimenta novas lutas e, principalmente, revanches (imaginem só o quanto venderia um terceiro combate, o tira-teima caso o sueco vença a segunda luta?), o UFC, que não é bobo nem nada, quer expandir mercados.

Para isso, nada melhor do que um campeão europeu. Até hoje, apenas três lutadores do Velho Continente ostentaram um cinturão. O último, há quase 11 anos, com o bielorruso Andrei Arlovski em 2005. Ter Gustafsson, um sueco, como campeão, seria maravilhoso para Dana White e seus excecutivos.

Além de romper fronteiras, o UFC quer, há anos, promover um evento em um estádio. Indo para a Europa, isso pode acontecer. E Dana White já afirmou que Jones x Gustafsson II pode ser justamente em um estádio europeu.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.