UFC quer desbravar o mundo; entenda

Além de ser a maior organização de MMA da atualidade, o UFC é uma companhia como outra qualquer. A empresa sabe: lutas e sangue formam uma combinação altamente lucrativa. E é isso que faz o negócio girar e a pancadaria continuar.

Recentemente a organização anunciou que a disputa do cinturão dos pesos-pesados entre o norte-americano Cain Velasquez (foto) e o brasileiro Fabricio Werdum ocorrerá no México, em novembro. Será a primeira vez que o UFC fará um evento no país latino.

Como todo negócio que se preze, o UFC capitaliza em cima de oportunidades. Velasquez e Werdum não foram escolhidos para o México à toa. O campeão tem ascendência mexicana enquanto o brasileiro é comentarista do UFC na América Latina. Só isso seria o suficiente para alavancar uma boa vendagem de pay-per-view do combate no México.

Veio, então, a tacada de mestre do presidente da entidade, Dana White: Velasquez e Werdum também serão os técnicos da primeira edição latino-americana do reality The Ultimate Fighter. Com isso, argentinos, chilenos, colombianos, entre outros povos, podem dar seus passos de entrada no mundo do MMA, especificamente, no UFC.

Antes de tentar a América Latina, o UFC foi para a China. Em novembro de 2012, aconteceu a primeira edição do combate em Macau. No pôster promocional do evento, foi usada uma imagem do lendário Bruce Lee. Para ganhar força no Japão, a organização escalou Wanderlei Silva, ídolo no país desde os tempos que lutava no Pride, para enfrentar Brian Stann, em março de 2013. O nocaute do brasileiro levou o público ao delírio. Cingapura sediou um evento em 2014. A Coreia do Sul pode ser um destino em potencial, já que dois lutadores do país, Chan Sung Jung (o “Zumbi Coreano”) e Dong Hyun Kim estão bem colocados nos rankings da organização.

A Austrália também entrou na rota do UFC há alguns anos. O país da Oceania marcou presença em uma edição do “The Ultimate Fighter” especial, em que lutadores australianos lutavam contra lutadores britânicos. Foi lá, também, que o ex-campão do Bellator, Hector Lombard, venceu pela primeira vez no UFC, em dezembro de 2012. O maior nome do MMA era George Sotiropoulos, australiano de ascendência grega que foi demitido do UFC no ano passado.

O próprio Brasil se tornou um destino mais frequente de lutas da organização há pouco tempo. Após sediar um evento em 1998, em São Paulo, o país só voltou ao calendário em 2011, no Rio de Janeiro. Desde então, foram 13 noites de combates no país. Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Barueri e Jaraguá do Sul já receberam o octógono. O próximo destino é a capital paulista, que em 31 de maio será o palco da luta entre Fabio Maldonado e Stipe Miocic.

Europa e Oriente Médio também serão potenciais destinos do UFC. Além da Inglaterra, que já sediou eventos, a organização quer ganhar músculos na Suécia, aproveitando o momento de Alexander Gustafsson, próximo desafiante ao título dos meio-pesados. Alemanha, Irlanda e Irlanda do Norte também sediaram eventos.

Para chegar ao Oriente Médio e ao pedaço da Europa que faz divisa com a Ásia, Dana White e companhia podem aproveitar lutadores como o afegão Siyar Bahadurzada e o holandês nascido no Irã Gegard Mousasi. Até agora, o único país em que o UFC esteve na região foram os Emirados Árabes. Um evento deve acontecer na Turquia em novembro.

A Rússia é outro país que não deve demorar a entrar na rota. Lutadores do país têm se destacado no UFC, casos de Khabib Nurmagomedov (4º no ranking dos pesos leves) e Rustam Khabilov (13º entre os leves). Além deles, a maior nação do mundo em território é a pátria daquele que é considerado o maior lutador de MMA da história, Fedor Emelianenko. Por isso, não será surpresa se a organização anunciar eventos em Moscou.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.