Torcedores.com testa Itaquerão e aprova infraestrutura

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No Brasil da maquiagem, do jeitinho e da carteirada, nada melhor do que ser um cidadão comum para testar como as coisas realmente funcionam. E foi com este espírito que estive hoje no jogo de inauguração do Itaquerão, na partida contra o Figueirense, pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro.

Sem credencial e sem me identificar como jornalista, fiz o trajeto que qualquer torcedor faria para ir do Centro de São Paulo até o estádio.

Com ingresso para as arquibancadas do Setor Leste, fiz o que a organização do evento pediu: usei o transporte público. Mais precisamente o “Expresso Copa”, trem da CPTM que fazia viagens entre as estações Luz e Corinthians-Itaquera.

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Como se tratava de um evento-teste para a Copa do Mundo, havia muitos funcionários e voluntários em toda a estação orientando os torcedores.

A viagem cumpriu o que foi prometido: em 19 minutos, eu estava desembarcando na estação que fica a poucos metros da Arena.

Nos arredores do estádio, interdições e barreiras para todos os lados, tudo para facilitar o fluxo de pessoas que se dirigiam ao estádio. Superadas algumas abordagens, revistas e as catracas, finalmente eu estava dentro do Itaquerão.

O interior impressiona: pisos em porcelanato e paredes brilhantes. Parecia qualquer coisa, menos um estádio de futebol. Banheiros impecáveis e espaçosos, bem distante da realidade com a qual o torcedor brasileiro se acostumou.

Nas lojas que já estão em funcionamento, o padrão-Fifa já vigora. Pelo menos nos preços praticados, como pipoca a R$10 e combo cachorro quente com batata frita (ambos minúsculos) e refrigerante a R$ 14.

Segui para o local marcado em meu ingresso, mas logo percebi que a regra não valeria. Empolgados com a inauguração da casa nova, corintianos tentavam se sentar o mais próximo possível do campo.

Com a bola rolando, notei que a acústica das arquibancadas deve favorecer – e muito – o Corinthians. Quando a Fiel começa a cantar, a Arena se transforma num caldeirão.

A chuva que caiu em Itaquera no segundo tempo da partida mostrou o que todos desconfiavam: o clube corre contra o tempo para concluir 100% da obra. Com parte da cobertura ainda inacabada, boa parte dos torcedores correu para tentar se abrigar, enquanto a água caía onde não deveria cair.

Mas a principal dificuldade veio após o jogo. O trajeto até a estação de metrô, que poderia ser feito em 7 minutos, acabou levando quase meia hora, graças aos gargalos que impediam o fluxo das mais de 36 mil pessoas que deixavam o estádio. No portão de saída da Arena e na entrada da estação, o que se via era a multidão aglomerada e tentando voltar para casa.

Nesse momento o clichê preferido do brasileiro nos últimos anos era corretamente empregado: “imagina na Copa…”

Como em jogos da Copa do Mundo as arquibancadas provisórias estarão em funcionamento, a capacidade do estádio chegará perto de 68 mil pessoas. Eis o principal desafio para a Fifa na organização do Mundial: garantir a saída do público com mais rapidez. Lembrando que isso é um item de segurança e que não pode ser negligenciado no estádio que receberá a abertura da competição.



Nasceu jornalista, mas só percebeu que queria fazer isso da vida quando, aos 11 anos, pediu de presente de aniversário uma assinatura da revista Placar. É doador de sangue compulsivo e jogador de futebol frustrado.