Jogar a culpa do fracasso do Milan em Seedorf é injustiça

O Milan é uma das equipes mais tradicionais da Itália e do futebol europeu. Mas só isso não foi suficiente para garantir o time rubro-negro nas principais competições continentais na próxima temporada. É a primeira vez que isso acontece desde a jornada de 1998/1999.

Com 57 pontos conquistados nos 38 jogos, o Milan terminou o Campeonato Italiano na 8ª posição. Foram 16 vitórias, 9 empates e 13 derrotas. A equipe ficou a um ponto da vaga na Liga Europa e a 21 da Liga dos Campeões.

Para 2014/2015, Seedorf terá trabalho para fazer o time jogar caso não seja demitido. A mistura do polêmico atacante Balotelli com Kaká, o volante ganense Essien e o meia japonês Keisuke Honda não funcionou 100% neste ano, o time não engrenou e os resultados planejados – a vaga na Liga dos Campeões – não vieram. O time, sobretudo na defesa, não é dos melhores. A equipe, como um todo, é regular. Faltou padrão de jogo em muitas partidas e o atrito com alguns atletas, como Balotelli, contribuiram para o fracasso.

Mas jogar toda a culpa no ex-meia é injustiça.

O holandês, que encerrou a carreira no Botafogo, onde virou ídolo, para iniciar a jornada de técnico, chegou ao Milan com o Italiano pela metade. De cara, implantou um esquema de jogo ofensivo. A estreia foi diante do Hellas Verona, dia 19 de janeiro, pela 20ª rodada. Até então, o clube era comandado por Massimo Allegri havia somado 22 pontos e estava no 11º lugar da competição. Para efeito de comparação, nos 19 jogos que comandou o time no nacional, Seedorf conquistou 35 pontos.

Três dias depois do primeiro jogo, viu a equipe ser derrotada pela Udinese e dar adeus à Copa da Itália. E começou as sentir efeitos da política do clube.

Tal como um bife à milanesa, Seedorf tem passado por processo de fritura. Na Itália, há quem o considere o nome certo na hora errada. Nos bastidores, o clube está rachado: de um lado, a filha do presidente Silvio Berlusconi, Barbara (que integra o conselho de administração), e o vice Adriano Galliani. Sobrou para Galliani, que pediu demissão.

Seedorf não agradou muito como técnico e a direção busca outro nome. Independentemente de quem venha, terá trabalho. E precisará de reforços.

Foto: Getty Images

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Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.