Opinião: No UFC, Rio nocauteia São Paulo

A terceira edição do UFC na cidade de São Paulo ocorre no próximo dia 31 de maio, no ginásio do Ibirapuera. Mas está longe de ser o evento empolgante que foi prometido pela organização.

Depois de perder o confronto entre Wanderlei Silva e o americano Chael Sonnen, treinadores da terceira edição do “The Ultimate Fighter Brasil” e desafetos declarados, para o UFC 175, dia 5 de julho, Junior Cigano foi escalado para o evento principal. O ex-campeão dos pesos pesados enfrentaria o croata Stipe Miocic.

Mas uma lesão na mão esquerda tirou o brasileiro do combate. Assim, o UFC recrutou Fabio Maldonado (foto) para o duelo contra Miocic.

Não que Maldonado seja um lutador ruim. O Caipira de Aço, que fará sua estreia entre os pesos-pesados (ele lutava entre os meio-pesados) é garantia de luta movimentada e de muita pancadaria. É bom no boxe. O croata é um rival interessante, logo, devem travar uma boa luta.

Mas que o card do UFC São Paulo ficou menos interessante, com certeza. Maldonado não tem o quilate de Cigano, um ex-campeão que já não tinha o apelo que Wanderlei e Sonnen traziam, por toda a rivalidade.

Nesse quesito, as edições do UFC realizadas no Rio de Janeiro dão um banho em São Paulo. Dos 15 eventos da organização realizados no Brasil (incluindo a luta do próximo dia 31), quatro foram no Rio. Em três eventos cariocas, houve disputa de cinturão.

Em São Paulo, o máximo que aconteceu foi o nocaute relâmpago de Vitor Belfort em Wanderlei Silva em 1998, no primeiro evento do Ultimate feito no Brasil. Depois disso, o UFC só voltou a São Paulo em janeiro de 2013. Na luta principal, Vitor Belfort nocauteou o inglês Michael Bisping.

Dos quatro eventos ocorridos no Rio, dois foram encabeçados por Anderson Silva e dois por José Aldo. No UFC 134, ocorrida em agosto de 2011, o Spider nocauteou Yushin Okami e manteve o cinturão dos médios. Na mesma noite, lutaram Mauricio Shogun e Rodrigo Minotauro, dois dos maiores brasileiros no UFC.

No UFC 142, em janeiro de 2012, foi a vez de José Aldo defender o cinturão dos penas diante de Chad Mendes. Vitor Belfort, que encabeçaria o UFC São Paulo no ano seguinte, finalização Anthony Jonhson com um mata-leão no co-evento principal. Rousimar Palhares, o Toquinho, também lutou (e venceu Mike Massenzio).

O UFC 153, em outubro de 2012, seria entre José Aldo e Erik Koch, porém desafiante e campeão se machucaram ao longo do caminho. Surgiu, então, Anderson Silva para salvar a pátria. Lutou entre os meio-pesados (em combate em que nenhum cinturão estava em jogo) e despachou Stephan Bonnar. Minotauro e os brasileiros Glover Teixeira, Fabio Maldonado, Erick Silva e Demian Maia também subiram no octógono.

Além do Rio, outras cidades do país receberam eventos mais interessantes do que o que acontecerá em São Paulo no fim do mês.

Natal acompanhou a vitória de Dan Henderson sobre Mauricio Shogun em março deste ano. Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, viu excelentes exibições de Vitor Belfort diante de Luke Rockhold (maio de 2013) e de Lyoto Machida sobre Gegard Mousasi (fevereiro de 2014).

Goiânia acompanhou um belo nocaute de Vitor Belfort sobre Dan Henderson em novembro do ano passado. Fortaleza viu a finalização de Fabricio Werdum em Rodrigo Minotauro em junho do ano passado.

Por fim, Aldo defendeu outra vez o cinturão dos penas em agosto de 2013, no UFC 163. Ele derrotou o coreano Chan-Sung Jung, o “Zumbi Coreano”, por nocaute técnico e manteve o cinturão. Lyoto Machida também estrelou a noite, fazendo a segunda luta contra Phil Davis. Belo Horizonte foi testemunha da derrota de Wanderlei Silva para Rich Franklin, em junho de 2012, na final do primeiro The Ultimate Fighter do país (Fabricio Werdum venceu Mike Russow na mesma noite).

Mas justiça seja feita ao UFC e aos paulistas. Nem todo evento no Brasil teve tanto brilho. Em Barueri (colado em São Paulo), Demian Maia perdeu para Jake Shields no principal combate da noite de 9 de outubro de 2013. E Glover Teixeira foi a estrela do UFC Fight Night contra Ryan Bader, ocorrido em Belo Horizonte em setembro de 2013.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.