Para ganhar, a defesa é o melhor ataque?

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O futebol é caracterizado, taticamente, por ciclos que oscilam entre esquemas ofensivos e defensivos. Até a década de 50, por exemplo, predominava o 4-2-4, mas no final desse decênio, a seleção brasileira, campeã do mundo, inovava ao usar o 4-3-3.

De lá para cá, nunca mais as equipes jogaram com mais de três atacantes e, se olharmos bem, muitas vezes jogaram só com um homem de frente, como a França, campeã do mundo em 98, e a Itália, vencedora da Copa de 2006.

Muitos acreditam que o dia que o futebol definitivamente demonstrou não ser lugar para equipes românticas, por assim dizer, foi a derrota do Brasil para a Azzurra em 1982. O timaço escalado por Telê Santana, ao cair diante da pragmática equipe de Paolo Rossi, determinou a última vez em que se viu um futebol preocupado apenas com o desempenho técnico.

No entanto, Pep Guardiola recuperou esse conceito com o Barcelona entre 2008 a 2012. Com o seu tic-tac, o que importava mesmo era o jogador saber jogar futebol, porque o restante se arrumava. Abidal, outrora lateral esquerdo, se tornou zagueiro, assim como o volante Mascherano. Valdes, um goleiro que não era unanimidade na torcida catalã, virou uma peça importante desta filosofia, já que muitas jogadas iniciavam no seus pés.

Não obstante, após a sua saída do Barça e chegada ao Bayern, esse estilo perdeu força. A seleção espanhola, por exemplo, que o adotou na conquista da Euro de 2012, já cogita muda-lo após perder a Copa das Confederações para o Brasil, de Felipão. Hoje, times mais compactos, com força defensiva e velocidade nos contra-ataques são o que realmente dão resultados.

Sendo assim, o tradicional 4-4-2, em que duas linhas de quatro jogadores protegem a defesa, vem sendo recuperado pelas principais equipes do cenário mundial. Atlético de Madrid e Real Madrid, por exemplo, adotam esses conceitos, embora com variações importantes. No caso do time de Simeone, por exemplo, sem a bola todos os jogadores recuam e cumprem deveres defensivos, o que dá um aspecto de 4-5-1. O time de Ancelotti, por sua vez, tem em Bale mais um atacante, ao lado de Benzema e Cristiano Ronaldo, do que um meia. No entanto, sobretudo na segunda partida contra o Bayern de Munique, o galês fez bem a composição da segunda linha.

No Brasil, por exemplo, esses efeitos já estão sendo sentidos. O Fluminense, que joga sob o comando de Cristovão Borges um futebol mais de toque de bola, não conseguiu furar o ferrolho que o Vitória de Ney Franco armou. Atuando no 4-4-2 clássico, o Leão usou a inteligência e os contra-ataque para superar, dentro de um Maracanã com mais de 50 mil pessoas, o até então líder do campeonato.

Essa também parecer ser a tônica na próxima Copa do Mundo. Gostemos ou não, o resultado é importante e, atualmente, a defesa tem sido o melhor meio para alcançá-lo.

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