Opinião: Pelé perdeu a chance de ficar calado

“Pelé, calado, é um poeta.”

A frase é do ex-atacante e agora deputado federal Romário. Mas pode ser aplicada com perfeição sobre a postura do Rei do Futebol sobre o racismo.

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Questionado sobre o ocorrido com o lateral Daniel Alves, do Barcelona (no último domingo, torcedores do Villarreal atiraram uma banana no brasileiro, que pegou a fruta e comeu), Pelé minimizou o fato:

“Racismo não é no futebol, tem em todos os setores da sociedade há muito tempo. O que não podemos deixar uma coisa tão banal, de um carinha que jogou uma banana, e fazer do limão uma limonada.”

Não bastasse a infelicidade da declaração, de considerar um crime algo banal, o ex-camisa 10 do Santos e da Seleção foi além. Afirmou que, diante do número de eventos do futebol, casos como o de Daniel Alves e outros atletas como Neymar e Tinga “não são tantos assim.”

E desde quando isso é bom, Pelé?

Negro, o maior jogador da história não é unanimidade entre outros atletas negros quando o assunto é racismo. O ex-ponta da Seleção Brasileira Paulo Cézar Caju é um dos grandes críticos do Rei, a quem acusa de “nada fazer pelos negros”.

Não que Pelé tenha obrigação, de fato, que fazer algo. Mas de uma pessoa pública de sua magnitudo, era esperado, no mínimo, que ele ficasse calado se não tive nada de bom a dizer.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.