Opinião: O futebol está abandonando o UFC. Ainda bem

Com o MMA já estabelecido e com boa base de fãs no Brasil, os clubes de futebol pararam de olhar para ringues, octógonos e arenas de luta com olhos comerciais. O que é muito bom para os clubes, para os lutadores e principalmente para o público.

Anderson Silva já foi e Junior Cigano ainda é atleta do Corinthians. Mas ambos já provocaram sentimentos longe de patriotismo por parte de palmeirenses. O americano Chael Sonnen chegou a camisa alviverde, enviada pelo próprio Palmeiras, antes de enfrentar o Aranha em 2011.

José Aldo já foi contratado pelo Flamengo. E, quando defendeu o cinturão dos penas contra Chad Mendes, viu o rival ganhar uma camisa do Vasco do treinador de jiu-jitsu do norte-americano. Anthony Pettis, que já foi especulado como próximo adversário do manauara, já recebeu uma camisa do Fluminense.

Rodrigo Minotauro (Internacional), Paulo Thiago (Cruzeiro), Thiago Tavares (Avaí), Rony Jason (Fortaleza)… todos esses são ou já foram patrocinados por clubes de futebol. Certamente não tiveram apoio de torcedores de outros clubes, por mais que sejam compatriotas.

Não há nada errado de lutadores do UFC ou de outros eventos vestirem a camisa de seus clubes de coração. O problema é quando a coisa se mistura e o profissional para a defender a equipe. Para se criar uma rivalidade desnecessária e perder fãs, mesmo que temporariamente, por uma bobeira, é um pulo. Algo que poderia facilmente ser evitado.

Em um país onde a rivalidade futebolística está acima da maior parte das coisas, é melhor que cada esporte fique em sua arena. Para o bem do MMA e do futebol, isso está acontecendo. Todos saem ganhando.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.