Opinião: Manter técnico interino é uma boa para o Palmeiras

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Divulgação/Palmeiras

Alberto Valentim admite que não tem esperança de ser efetivado como treinador do Palmeiras. Mas mantê-lo no cargo em vez de contratar um “medalhão” como Vanderlei Luxemburgo pode ser benéfico ao clube.

O alviverde tem problemas financeiros graves, a ponto de o presidente Paulo Nobre tomar empréstimos pessoais e repassar ao clube. É justamente o fator dinheiro que dificulta a negociação com Vanderlei Luxemburgo, nome favorito para ser o substituto de Gilson Kleina.

Valentim, certamente, é mais barato do que Luxemburgo, Dorival Júnior e Jorginho, nomes especulados no Palestra Itália.

Há também outros pontos. O interino trabalha no alviverde desde janeiro de 2014, quando chegou para compor a comissão técnica. Conhece os jogadores e continuou com a filosofia de Kleina, técnico querido entre os atletas do Verdão. Tanto é que admitiu, após a vitória sobre o Goiás, no último sábado, que apenas manteve que o antigo treinador vinha fazendo.

Por isso, acredito que o melhor ao Palmeiras seria efetivar Valentim.

Vejamos, agora, quem pode chegar.

O principal nome ventilado é o Luxemburgo. O treinador conversou na sexta que a cúpula do Palmeiras. Dono de currículo extenso, acumulou tropeços em seus últimos trabalhos. O último título foi o Campeonato Carioca de 2011, no Flamengo. Desde então, fracassou no Grêmio e no Fluminense, e tem trabalhado mais com nome do que resultados.
Diferentemente do perfil tranquilo de Kleina, Luxa é assumidamente vaidoso, o que pode complicar a relação com alguns atletas. Em quatro passagens pelo Palmeiras (1993-1995, 1995-1996, 2002 e 2008-2009), foi bicampeão brasileiro (1993 e 1994), ganhou um Rio-São Paulo (1993) e foi quatro vezes campeão paulista (1993, 1994, 1996 e 2008).

Quando era conhecido apenas como Júnior, Dorival chegou a jogar no Palestra Itália entre 1989 e 1992. Como técnico, seus principais trabalhos foram no Vasco (campeão da Série B em 2009), Santos (campeão paulista e da Copa do Brasil em 2010) e no Internacional (venceu o Campeonato Gaúcho em 2012 e a Recopa Sul-Americana em 2011). A partir de 2012, passou por Flamengo, Vasco de novo e Fluminense, sem êxito.

Tem menos nome e currículo do que Luxemburgo, mas é um treinador mais barato e com alguns resultados mais recentes.

Jorginho seria uma espécie de opção “caseira” e a comprovação de os interinos funcionam bem. Em 2009, no hiato entre a saída de Luxemburgo e a chegada de Muricy Ramalho, foi muito bem nos sete jogos em que foi o comandante: cinco vitórias, um empate e uma derrota. Em 2011, conduziu a Portuguesa ao título da Série B do Campeonato Brasileiro. Seu último clube foi o Náutico, em 2013.

Da mesma forma que Dorival, tem currículo humilde. Corre por fora na briga pelo cargo.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.