Opinião: Está na hora de acabar a concentração no futebol

Consenso geral entre jogadores de futebol: a maioia aboliria a concentração se pudesse. A prática, antiga no país, aos poucos está caindo em desuso por duas constatações.

A primeira é óbvia. Concentração não ganha jogo. Não é o fato de manter o grupo confinado em um hotel que fará com que os atletas voem em campo no dia seguinte. Até porque raros são os jogadores que dormem cedo. A maior parte acessa a internet, joga videogame, assistem filmes… Dormir que é bom, nada.

Isso para não falar em bebidas, jogos de cartas e afins que algumas vezes vazam na imprensa. O jornal “Folha de S.Paulo” publicou que o fato de o técnico Adilson Batista ter vetado charutos, baralho e álcool na concentração teve relevância em sua demissão do Corinthians em 2010.

A segunda constatação é que principalmente os atletas casados e com filhos preferem passar a noite em casa do que enfurnados em um hotel. O jogador relaxa mais – afinal está em casa – e tende a render melhor em campo no dia seguinte.

No ínicio do ano passado, o Coritiba experimentou acabar com a reclusão. Por coincidência (ou não), o clube ganhou o Campeonato Paranaense. O meia Alex (foto) é um dos defensores do fim da concentração.

O Botafogo também foi outra equipe que adotou o esquema. Contudo, no clube do Rio de Janeiro o fim da concentração começou como protesto dos jogadores ao atraso dos salários. Também por coincidência (ou não), o alvinegro foi campeão carioca.

Acredito que os jogadores mereçam o benefício da dúvida e que todas as equipes poderiam afrouxar as rédeas. Concentrar não fará o time jogar melhor. Pelo contrário, pelos relatos dos atletas, a rotina em hotéis desgasta, estressa e cansa.

Na Europa, a concentração não existe há muito tempo. Os jogadores dormem em casa e se apresentam no fim da manhã. Almoçam juntos, descansam e vão para o estádio.

É claro que para isso funcionar é necessário que o jogador tenha responsabilidade e profissionalismo. Sem a concentração, a balada fica mais perto. Ao mesmo tempo que libera o jogador, o clube teria de adotar algum tipo de fiscalização ou punição no caso de faltas. Ou tenta fazer o jogador “bagaceiro” entender a postura certa.
No Coritiba e no Botafogo a fórmula deu resultados. Nos outros clubes provavelmente daria certo. Que o fim da concentração seja, ao menos, testada.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.