Opinião: esportes ‘menores’ têm prazo de validade

Em dezembro do ano passado, o handebol dominou boa parte do noticiário esportivo. Não, leitor, não estamos na Europa, na região da Escandinávia, onde o “esporte das escolas” é um dos mais populares e exibidos na televisão. O motivo de o handebol estar nas manchetes foi o inédito título da seleção feminina do Brasil no Mundial feminino.

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Opinião: brasileiros não gostam de esporte, gostam de vitórias

Antes disso, o handebol só foi citado durante os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012 (assim como praticamente todas as modalidades envolvendo brasileiros) e durante o Mundial feminino de 2011, que aconteceu no Estado de São Paulo.

Fora isso, acontecimentos pontuais, é difícil se lembrar do handebol na televisão.

Esporte e jornalismo têm muito em comum. São coisas efêmeras, acabam rápido. E o brasileiro padece de memória curta. Logo, passados menos de seis meses da maior conquista do handebol no país, quase ninguém fala do feito. Nem ao menos do esporte em que se faz gols com a mão.

O fenômeno não é novo. O tênis passou por isso durante a “era Guga”, quando o catarinense venceu torneios importantes, como Roland Garros, e chegou a ser o número 1 no ranking mundial. É verdade que Thomaz Bellucci, Bruno Soares e Marcelo Melo têm espaço na grande imprensa, mas não há como comparar com Gustavo Kuerten.

A ginástica foi uma das últimas modalidades a passar por essa “febre”. O grande responsável é Arthur Zanetti, um dos principais nomes das argolas no mundo. O paulista é o atual dono do ouro olímpico no aparelho e venceu o último mundial. Mas entre o auge de Daiane dos Santos, em 2003, e o de Zanetti, em 2012, o que mais aconteceu? Pois é.

Até mesmo o MMA, que hoje talvez já seja o segundo esporte na preferência do brasileiro, tem suas sazonalidaes. É claro que, como toda modalidade, há o público fiel, cativo. Mas se não fosse a “luta do século”, entre Anderson Silva e Vitor Belfort, em 2011, quanto do mundo das lutas o grande público conheceria?

A vida é dura para praticantes e fãs de outros esportes que não o futebol. Graças à cultura esportiva no Brasil, de valorizar a vitória acima de qualquer coisa, temos uma roda gigante de esportes concorrendo à medalha de prata. O ouro já tem dono e não precisou nem de prorrogação para isso.\

Foto: Divulgação



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.