Opinião: Briga entre Rosberg e Hamilton é a única coisa que dá graça à Fórmula 1

A já chamada “guerra fria” entre o inglês Lewis Hamilton e o alemão Nico Rosberg, ambos da Mercedes, vem em bom momento para a temporada 2014 da Fórmula 1. Com ambos dominando a categoria – nas seis etapas até aqui, quatro foram vencidas por Hamilton e duas por Rosberg – e a concorrência comendo poeira, as farpas entre eles trazem graça a um ano com o time vencedor já definido.

A distância da Mercedes em relação à Red Bull, Ferrari, McLaren e outros times é gritante. O acerto das Flechas de Prata está redondo. O time se adequou ao novo regulamento com muito mais precisão e cuidado que os adversários. Isso explica o abismo que separa o time alemão dos demais. E, é claro, a habilidade de Hamilton, campeão em 2008 com a McLaren, e Rosberg nos volantes.

Sem adversários à altura neste ano – nem mesmo o tetracampeão Sebastian Vettel faz frente – o inglês e o alemão começaram a brigar entre si. Não literalmente (ainda), mas não duvido que o façam. Qualquer semelhança com Ayrton Senna e Alain Prost na McLaren no fim dos anos 80 não é mera coincidência.

A gota d’água na relação entre os parceiros aconteceu no sábado (24), nos treinos classificatórios para o Grande Prêmio de Mônaco. Após fazer o tempo mais rápido, Rosberg teria batido de propósito (na visão de Hamilton) para forçar bandeiras amarelas e evitar que o inglês conseguisse uma volta mais rápida. No domingo (25), na hora do “vamos ver”, o alemão conseguiu manter a ponta, venceu a prova e retomou a liderança da temporada.

Questionado sobre o assunto, Hamilton apagou o incêndio com gasolina. “Não somos amigos. Somos colegas”, afirmou, após a corrida no Principado. Rosberg tentou amenizar. Mas… “Sempre fomos amigos, sempre seremos amigos. Mas “amigos” é uma palavra forte. O que exatamente são “amigos”? Temos uma boa relação e trabalhamos bem juntos”, declarou.

A próxima etapa do calendário é o Grande Prêmio do Canadá, no dia 8 de junho. Até lá, muita coisa acontecerá nos bastidores da Mercedes. Uma coisa está clara desde já: Hamilton quanto Rosberg não vão tirar o pé do acelerador. Acredito que, mesmo que a direção da escuderia determine que um deles seja o primeiro piloto (cenário altamente improvável), o “segundo” não vai dar moleza. A briga tenderá a ficar feia.

Melhor para os fãs de Fórmula 1, que terão uma disputa acirradíssima até o fim da temporada.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.