O que aconteceu com as equipes de Fórmula 1 que ‘morreram’?

Antes de chegar à McLaren, em 1988, Ayrton Senna passou pela Lotus e pela Toleman. Posteriormente, correria pela Williams.

Michael Schumacher guiou pela Benetton antes de pilotar a Ferrari.

Em sua trajetória na Fórmula 1, Rubens Barrichello defendeu Jordan, Stewart, Honda e Brawn, além da Ferrari.

Dessas todas, apenas Ferrari, Williams e McLaren continuam firmes e fortes no grid. Todas as outras ou fecharam as portas ou mudaram de nome e cores.

Confira o que aconteceu com as equipes que “morreram” na Fórmula 1:

1) Tyrrel

 

A equipe inglesa teve seu auge nos anos 70, quando conquistou dois títulos de pilotos com escocês Jackie Stewart (1971 e 1973). Entre 1976 e 1977, inovou ao disputar a temporada com um carro de seis rodas. Em 1997, o time foi comprado pela BAR (British American Racing), empresa de uma gigante do ramo tabagista, e fez sua última temporada no ano seguinte.

Entre 1999 e 2005, a ex-Tyrrel correu sob o nome de BAR, sem resultados expressivos. O brasileiro Ricardo Zonta guiou para a escuderia nas duas primeiras temporadas. E, a partir de 2006, o time mudaria de nome novamente, desta vez, para Honda, que assumiu o controle da BAR em 2005.

A compra da BAR marcou a volta da Honda à Fórmula 1 com escuderia própria. Após um hiato de mais de quase 40 anos (a Honda foi uma equipe entre 1964 e 1968), os japoneses resolveram deixar de serem apenas fornecedores de motores para ter um carro. Foram três temporadas, todas com Jenson Button e Rubens Barrichello como pilotos. Mas fechou as portas e viu seus restos serem comprados por Ross Brawn.

Ex-diretor técnico de Benetton e Ferrari e chefe de equipe da Honda, Brawn comprou a Honda e fundou uma equipe com seu nome. E a Brawn GP teve história curta e gloriosa. Em sua única temporada, 2009, conquistou o título de pilotos, com Jenson Button, e o campeonato de construtores. No ano seguinte, tudo mudaria.

Uma velha conhecida da Fórmula 1 oficializou a volta às pistas no fim de 2009. A Mercedes, então parceira da McLaren, vendeu sua parte na equipe inglesa e comprou a Brawn. E, desde 2010, as Flechas de Prata voltaram ao grid, onde estiveram em 1954 e 1955 e foram bicampeãs com o argentino Juan Manuel Fangio.

Atualmente, a Mercedes é a equipe a ser batida na Fórmula 1. E foi o último time do heptcampeão Michael Schumacher.

2) Stewart

 

Ex-tricampeão da Fórmula 1, o escocês Jackie Stewart fundou uma escuderia com seu sobrenome em 1997. O time, que sempre contou com Rubens Barrichello, correu até 1999, quando terminou a temporada no 4º lugar do campeonato de construtores e foi vendida para a Ford. Surgia, aí, a Jaguar.

Os carros verdes da nova equipe eram bonitos, mas, na pista, quase nenhum resultado apareceu. Assim, a Ford decidiu deixar a Fórmula 1. Melhor para a Red Bull.

A empresa austríaca de bebidas comprou a Jaguar e, a partir de 2005, passou a ter uma equipe própria, a Red Bull Racing. Após um início irregular, o time chegou ao topo da categoria: dominou as últimas quatro temporadas, com o alemão Sebastian Vettel sendo campeão entre 2010 e 2013.

Em 2014, contudo, perdeu o reinado para a Mercedes.

3) Jordan

 

O time do irlandês Eddie Jordan marcou presença na Fórmula 1 entre 1991 e 2005. Foi a primeira equipe do alemão Michael Schumacher (em 1991) e de Rubens Barrichello (em 1993). Ficou conhecida pelos carros amarelos a partir de 1996 e se destacou nas pistas entre 1998 e 1999.

Com a Honda fornecendo motores para a BAR a partir de 2000 – mais tarde, compraria a equipe -, o que sobrou para a Jordan foram motores de segunda linha da empresa japonesa. E situação começou a piorar. Em 2005, Eddie Jordan vende a escuderia para a Midland.

O time russo durou menos de uma temporada. No meio de 2006, a Midland foi comprada pela holandesa Spyker e a escuderia mudou de nome no meio da temporada. A nova equipe também durou pouco, até 2007, quando foi novamente vendida, desta vez para o empresário indiano Vijay Mallya.

Surgia, então, a Force India, que participa desde 2008 da Fórmula 1.

4) Minardi

 

Entre 1985 e 2005, os italianos da Minardi se acostumaram aos últimos lugares da classificação. Ao longo da história, teve como pilotos os brasileiros Roberto Pupo Moreno (1991), Christian Fittipaldi (1992 e 1993) e Tarso Marques (1996, 1997 e 2001). Entre 2000 e 2001, também abrigou o espanhol Fernando Alonso, futuro bicampeão mundial pela Renault.

Mas, resultados expressivos, a Minari não teve quase nada. Em 2005, foi comprada pela Red Bull, que a transformou na Toro Rosso, uma espécie de filial italiana do time austríaco.

Já sob a marca da empresa de energéticos, o maior resultado da Toro Rosso foi mostrar para o mundo o alemão Sebastian Vettel. Foi no time italiano que o futuro tetracampeão conseguiria sua primeira pole position e a primeira vitória, no Grande Prêmio da Itália, em 2008.

5) Toleman/Benetton

 

Embora a Benetton seja mais conhecida pelos dois primeiros títulos de Michael Schumacher, a história da escuderia começa bem antes. Entre 1981 e 1985, o time se chamava Toleman. Foi nessa equipe, em 1984, que Ayrton Senna estreou na Fórmula 1. Entre 1985 e 1986, a Benetton, que patrocinou escuderias como a Tyrrel (em 1983) e a Alfa Romeo (1984), resolveu montar voo solo e comprou a Toleman.

Iniciava ali, em 1986, uma história que iria durar até 2001 e que renderia dois títulos à equipe, em 1994 e 1995, com Michael Schumacher. Em 1990 e 1991, contou com o tricampeão Nelson Piquet no time.

No início de 2000, a Renault compra a Benetton, mas só iria sacramentar a volta à Fórmula 1 em 2002. O grupo francês teve equipe própria entre 1977 e 1985 – entre 1981 e 1983, contou com o Alain Prost no time.

No fim de 2010, o Grupo Lotus compra a Renault e volta à Fórmula 1. Em 2011, o novo time se chama Lotus Renault, mas em 2012 volta a ser chamado apenas de Lotus.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.