Opinião: ‘Chororô’ de Rivaldo tem um preço

O Mogi Mirim, desde o desligamento do vice-presidente Wilson Bonetti, vive momentos de indecisão. O presidente do Sapo, Rivaldo Ferreira, após uma avaliação minuciosa nas finanças do clube, se assustou com os gastos do clube no dia a dia. O mandatário do alvirrubro percebeu que estava colocando muito dinheiro do bolso para sustentar a equipe mogimiriana, onde envolve estrutura e funcionários.

A comprovação da alta quantia dispensada de seus cofres particulares criou desconforto e indecisões dentro da diretoria e da família.Rivaldo ameaçou então não disputar o Campeonato Brasileiro da Série C para conter o volume de dinheiro injetado no Mogi. O presidente chamou a imprensa e declarou que sem ajuda de parceiros iria deixar o Sapão da Mogiana.

Mas, de quem é a culpa do atual momento que o Mogi vive? Do presidente? Desde que assumiu o Sapo, Rivaldo sempre foi um gestor ausente. Sempre preferiu envergar camisas de clubes rivais, ao invés de suar a camisa do clube que presidia. Sempre deixou o comando do clube nas mãos de pessoas em que confiava.

Quando tudo estava certo para defender o Mogi, escolheu o São Paulo para atuar, a convite de Rogério Ceni. Lá, teve poucas oportunidades dentro de campo. Não era a preferência de Carpegiani. Voltou do São Paulo e foi para Angola, ganhar dim-dim, no Kabuscorp. Será que ganhou? Então, voltou ao Brasil. Para jogar no Mogi? Não, no São Caetano. Piada não é? No Azulão pouco jogou pelo Campeonato Brasileiro. Rescindiu com o clube antes da competição encerrar. Ficou feio!

Machucado, sem interesse de nenhum clube, o jeito foi vestir a camisa do Mogi. Por opção? Não, por falta dela. Jogou contra o São Paulo e o Mogi sofreu uma das maiores goleadas na temporada do Paulista. Se arriscou em outras participações e, quando viu que o barco poderia afundar, aposentou-se.

Na última rodada, contra a Ponte Preta, de Campinas, na goleada inesperada de 4 a 0 sobre a Macaca, o Sapo conseguiu se livrar do rebaixamento para a Série A-2 do Paulista. Rivaldo comemorou e disse que a missão foi cumprida: de manter o time na elite do Paulistão.

Mas agora, apenas como presidente, mais ativo e próximo das “coisas” do Mogi, está pagando o alto preço de ter tomado a decisão de ficar tanto tempo longe do convívio com o Mogi Mirim Esporte Clube. Agora, é só “chororo”. Como diz um velho e sábio ditado: “Quem engorda o porco é o olho do dono”. Será que o presidente do Sapo não sabia disso?

Desesperado com a situação contemplada no clube, Rivaldo então começou a apelar e conclamar ajuda de parceiros para administrar o Mogi. Viajou, fez contato e praticamente anunciou o presidente do Arapongas, do Paraná, Adir Leme da Silva, como novo parceiro do Sapo, em entrevista coletiva para a imprensa.

O presidente do Sapo afirmou que as negociações estavam adiantadas e apenas detalhes precisavam ser acertados para que a parceria fosse firmada oficialmente. Uma semana depois, Rivaldo, através de nota, informou que Adir Leme da Silva havia desistido de ser um dos investidores do Mogi.

Mas, o mais surpreendente, foi da forma que Adir Leme da Silva declinou da responsabilidade de ser parceiro do Mogi. O anuncio da desistência da parceria com Rivaldo foi por e-mail. De forma informal. Da maneira mais fria já vista. O feito de Adir foi comunicado pelo próprio Rivaldo à imprensa.

Será que o presidente do Arapongas presenciou algo no Mogi que não lhe agradou? A resposta só Adir Leme da Silva pode dar. Mas, que deve ter havido algo estranho, isso deve, sem dúvidas.Então, em nova atitude desesperada após o revés com o presidente do Arapongas, Rivaldo clamou por parceiros mais uma vez, mas, em contrapartida, expôs o clube a uma situação vexatória e que beirou o amadorismo.

Em postura nunca antes vista em clubes profissionais, Rivaldo anunciou telefone e e-mail de contato para atrair novos parceiros para o Sapão da Mogiana. A atitude foi intitulada como: “quem quer ser parceiro do Mogi? É só ligar para o “Disk Parceria”.

Segundo informações, os telefonemas pipocaram e os e-mails encheram a caixa postal de Rivaldo. O número chegou próximo de mil e-mails enviados ao presidente do Sapo. De todos, qual vingou? Pelo jeito, nenhum. Novamente, em chororo à imprensa, Rivaldo ameaça fechar as portas do Sapo.

O anuncio do provável encerramento das atividades do clube mogimiriano foi feita por Rivaldo logo após o empate diante do Madureira, em 1 a 1, no último domingo, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro da Série C.

Na sala de imprensa do Mogi, o presidente manifestou que, se não tiver um novo parceiro até o dia 31 de maio, no dia seguinte, no dia 1º de junho, fecha as portas do Sapão da Mogiana. Na minha humilde opinião, o fechamento do Mogi não deve ocorrer. Ninguém larga o osso assim. Vejo um pouco de pressão nas declarações de Rivaldo. Ninguém toma prejuízo por seis longos anos, ou toma?

O time mogimiriano é uma vitrine boa, mas a impressão que tenho é que Rivaldo não tem representatividade nenhuma para angariar investimentos. Não tem Marketing no meio do futebol. Não atrai os parceiros. Então, precisa ficar mendigando ajuda. Feio! Horrível isso!

E, com estas posturas adotadas de reclamar e leiloar o Sapo a qualquer um, deprecia ainda mais o clube. Quem quer ser parceiro de uma instituição que mostra estar à beira de um caos financeiro? Ninguém, só imbecis.

Para ter competência e saber administrar um clube, Rivaldo precisa amadurecer e crescer muito ainda. Ele está provando a cada dia que ainda é verdolengo neste ramo do futebol. O Mogi não é o quintal de sua casa, e o que Rivaldo esta fazendo com o clube é vergonhoso.

Foto: Luiz Pires/VIPCOMM