Conheça o ‘lado B’ de Ayrton Senna

Que Ayrton Senna é um dos maiores ídolos do esporte brasileiro, é incontestável. Morto há 20 anos, o ex-piloto também é um dos maiores nomes da história da Fórmula 1. Mas nem tudo são flores na história do campeão mundial de 1988, 1990 e 1991 pela McLaren.

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Conheça um pouco mais do “lado B” do herói nacional:

1) Ruptura de acordo e guerra na McLaren

 

As birras entre Senna e Prost começaram em 1989 graças a um acordo descumprido pelo brasileiro. Após ser campeão em 1988, seu primeiro ano na McLaren, Ayrton propôs ao francês que, em 1989, eles não brigariam entre si por posições nas primeiras voltas das corridas. O motivo era evitar batidas desnecessárias. Eles só tentariam ultrapassar um ao outro após as confusões da largada terem acabado.

Mas no Grande Prêmio de San Marino, tudo foi por água abaixo. Senna largou na pole position e se manteve na ponta até que a prova foi interrompida na 3ª volta por causa de um acidente. Na relargada, Prost, que era o 2º foi melhor e tomou a dianteira de Ayrton. Mas na curva Tosa, um ponto perigoso da pista, Senna ultrapassou o francês e abriu a guerra na McLaren.

 

2) Bater no carro do rival para ser campeão

 

Em 1989, o francês Alain Prost conquistou ao título, beneficiado por um acidente envolvendo ele e seu companheiro de McLaren, Senna, no Grande Prêmio do Japão. No ano seguinte, foi a vez de Ayrton dar o troco. Na mesma corrida, o brasileiro e o francês (agora na Ferrari) tocaram as rodas, em um acidente, para muitos, premeditado, e o campeonato ficou com Ayrton.

 

3) Veto a companheiro na Lotus

No livro “O Herói Revelado”, Ernesto Rodrigues conta que Senna vetou a chegada do inglês Derek Warwick à Lotus em 1986. O time britânico já havia acertado com Warwick para ser o segundo piloto da equipe, enquanto o brasileiro será o número 1. Após ser avisado pelo chefe da escuderia, Ayrton vetou a contratação do inglês. Alegou que o time não conseguiria manter dois carros competitivos durante a temporada. Talentoso e considerado queridinho dos ingleses, Warwick ainda recebeu no fim do ano um cartão de Senna desejando um feliz ano novo.

 

4) Troca de socos com outros pilotos

Fora das pistas, Senna chegou às vias de fato com outros pilotos. Em 1985, em sua primeira temporada na Lotus, brigou com o italiano Elio de Angelis. O europeu, que levou uma “fechada” de Senna, acertou um soco no brasileiro. O inglês Nigel Mansell (então na Williams) foi outro que já acertou Senna, em 1987, após uma batida que tirou ambos do Grande Prêmio da Bélgica.

Mas Senna não ficou só apanhando. Só não bateu no alemão Michael Schumacher, então um iniciante pela Benetton, durante um teste na Alemanha em 1992 porque foi contido pela turma do “deixa disso”. Mas em 1993 não teve quem separasse o brasileiro do irlandês Eddie Irvine, da Jordan, após o Grande Prêmio do Japão.

 

5) “Catimba” para garantir a pole

 

Em 1985, Senna garantiu a pole position no Grande Prêmio de Mônaco e voltou para os boxes. Depois disso, colocou pneus usados e levou sua Lotus de volta para a pista. O problema foi que ele andou bem mais devagar do que os outros pilotos, apenas para segurá-los na pista e manter a dianteira.

Na hora da corrida, no entanto, a Lotus do brasileiro quebrou na 13ª volta. A vitória ficou com seu futuro rival, Alain Prost.

 

6) Sem autógrafo

O brasileiro Felipe Massa, hoje na Williams, não correu com Senna, mas aprendeu uma lição importante com uma atitude tomada por Ayrton for dos boxes. Massa revelou em 2007, quando corria pela Ferrari, que Senna lhe negou um autógrafo quando era criança.

“Mas depois ele me recusou um autógrafo e passei a torcer para o Piquet. Eu tinha uns sete ou oito anos”, disse Massa. “Desde então, mesmo quando estou ocupado, não nego autógrafo para os garotinhos. Pode ser que os faça esperar um pouco, mas depois eu volto e lhes dou atenção. Porque isto aconteceu comigo e sei o que significa uma recusa”, completou.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.