Meio-médios e leves: as categorias ‘malditas’ para os brasileiros no UFC

Houve um tempo em que o Brasil dominou as categorias mais pesadas do UFC, com campeões nos pesados (120 kg), meio-pesados (93 kg) e médios (84 kg). Hoje, o país tem os cinturões dos galos (61 kg) e penas (66 kg). Mas há duas divisões em que os brasileiros atualmente passam bem longe de tentarem o título: os meio-médios (77 kg) e os leves (70 kg).

Dos 13 lutadores do Brasil que lutam nos meio-médios, o mais conhecido é o paulista Demian Maia (foto). Ele chegou a disputar o cinturão dos médios, em 2010. Mas após maus resultados, resolver baixar de peso em 2012. Na nova divisão, venceu três rivais em sequência (Dong Hyun Kim, Rick Story e Jon Fitch). Quando as expectativas por uma nova oportunidade surgiam, Demian perdeu para Jake Shields (em outubro do ano passado) em Barueri. No combate seguinte, foi derrotado novamente, desta vez para o canadesne Rory MacDonald.

Oitavo colocado no ranking da categoria, Demian volta ao octógono no próximo dia 31, em São Paulo, contra o russo Alexander Yakovlev.

Antes de Demian, o destaque entre os meio-médios era Thiago Alves. O “Pitbull” chegou a desafiar o ex-campeão Georges St-Pierre no UFC 100 (em julho de 2009), mas perdeu na decisão dos jurados. Desde então, teve uma queda de desempenho dentro do UFC, não conseguindo acumular sequências de vitórias.

Seu último combate foi a vitória sobre o americano Seth Baczynski, em abril, em Las Vegas, em luta do card preliminar do UFC Fight Night: Werdum x Browne.

Outro destaque do país nos meio-médios é Erick Silva, 15º no ranking. O capixaba ainda não engrenou na organização. Em oito lutas no UFC, perdeu cinco e venceu três. No dia 10 deste mês, foi nocauteado pelo americano Matt Brow

A maioria dos demais lutadores são atletas que vieram do reality show “The Ultimate Fighter Brasil”: Viscardi Andrade, Yan Cabral, Luiz Besouro, William Patolino e Serginho Moraes são alguns que foram aproveitados.

Dificlmente algum deles desafiará o reinado do americano Johny Hendricks neste ano.

Nos pesos leves, o cenário também não anima. São 11 brasileiros atualmente no UFC, dois deles no top 15 do ranking: Rafael dos Anjos (6º) e Edson Barboza (12º). Dos Anjos chegou a vencer cinco combates em sequência, mas, na última luta, foi derrotado pelo russo Khabib Nurmagomedov. Em junho, ele volta ao octógono contra Jason High.

Barboza, por sua vez, tinha cartel impecável e grandes vitórias até dois anos depois de entrar no UFC, em 2010. Mas o nocaute sofrido para Jamie Varner em 2012 interrompeu a série. Depois disso foram três vitórias. Mas na última luta, em abril deste ano, foi finalizado por Donald Cerrone. Em julho, ele encara Evan Dunham buscando a recuperação.

A categoria conta também com o carismático Francisco Massaranduba, outro prospecto do “The Ultimate Fighter Brasil” e o recordista do país em lutas no UFC, Gleison Tibau, que subiu ao octógono em 21 oportunidades e em julho fará mais uma luta, contra Pat Healy.

A esperança pode ser a subida do campeão dos penas, José Aldo, para os leves. Após ter limpado a divisão de baixo, a ida para os leves é o caminho natural para o brasileiro. Além disso, há muito tempo se especula um combate entre ele e o agora campeão dos leves, Anthony Pettis. O embate deve acontecer tão logo for possível.

O limbo do Brasil entre leves e meio-médios chama a atenção por dois fatores. O primeiro: sempre que um lutador “embala” e vira candidato a disputar o cinturão, vem a derrota. É apenas uma coincidência, mas tem acontecido, sobretudo nos leves.

Outra coisa é o alto número de brasileiros nessas divisiões em comparação às demais. De acordo com informações do próprio UFC, o país tem 13 meio-médios, 11 leves, 6 pesados (sem contar Gerônimo do Santos, que tem contrato mas ainda não estreou por causa de hepatite), 7 meio-pesados, 14 médios, 9 penas, 9 galos, 2 moscas e 3 mulheres na categoria galo.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.