‘Maldição’ do Benfica surgiu com ex-técnico do São Paulo; entenda

A derrota do Benfica para o Sevilla nesta quarta-feira (14), na final da Liga Europa, relembrou uma “maldição” que teria sido lançada ao clube português pelo ex-técnico Béla Guttman, que treinou também o São Paulo.

Em 1962, Guttman e o Benfica estavam em alta. Sob o comandos do húngaro, o clube alvirrubro conquistou o bicampeonato da Copa dos  Clubes Campeões da Europa (antecessora da Liga dos Campeões) em 1961 e 1962.  O time tinha como destaque o atacante Eusébio, descoberta do técnico.

Eis que o treinador pediu um aumento à diretoria, que negou. E Guttman proferiu a frase que é encara como uma “maldição”:

“Sem mim, nem em 100 anos o Benfica voltará a ser campeão europeu.”

A praga deu certo. Desde então, o clube chegou a decisões continentais seguidas e foi derrotado em todas. Nem a estátua feita em homenagem ao treinador, inaugurada em fevereiro deste ano, deu jeito.

No São Paulo, Guttman é considerado ídolo. O húngaro comandou o Tricolor entre 1957 e 1958, sendo o comandante da equipe que foi campeã paulista em 1957. Com ele, a equipe adotou o padrão tático 4-2-4, que se tornaria usual em todos os times da época, inclusive a Seleção Brasileira campeã do mundo em 1958. Ele também inovou o treino de pontaria dos atacantes, dividindo o gol em zonas numeradas para os chutes – o que hoje é conhecido como “paredão”.

Depois de deixar o Tricolor em 1958, Guttman foi para o Porto e, de lá, para o Benfica. Após rogar a “maldição”, acabou voltando ao clube alvirrubro em 1965 e provou do próprio veneno. Nem chegou à final da Copa dos Campeões da Europa em 1965/1966.

Depois de rodar por outros clubes, incluindo o Peñarol e até a Seleção da Áustria, Guttman encerrou a carreira de treinador em 1967. Morreu em 1981, aos 82 anos.

 

Foto: Getty Images



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.