Japão abriu mão do UFC para fazer história na própria casa

Berço do judô, do caratê, do sumô e do jiu-jitsu “original” (antes do aperfeiçoamento feito por Carlos e Hélio Gracie), entre outras formas de combate, o Japão só produziu dois campeões no UFC afé hoje: Kazushi Sakuraba, em 1997, e Kenichi Yamamoto, em 1999. Ambos foram campeões de torneios, na época em que a organização seguia direções muito diferentes da atual. E desde então, os nipônicos são coadjuvantes em cima do octógono.

O japonês de maior relevância no UFC foi Yushin Okami (foto), um dos poucos a vencer Anderson Silva em um combate de MMA (o brasileiro foi desqualificado após um golpe ilegal no Rumble on the Rock, em 2006). Após ser nocauteado por Ronaldo Jacaré em setembro do ano passado, Okami foi demitido. Atualmente, ele luta no World Series of Fighting.

Com tanta tradição nas artes marciais, por que os japoneses não decolaram no UFC?

É simples: os nipônicos nunca precisaram sair de seu país para lutar MMA. Afinal, o Pride, evento que muita gente acha melhor que o UFC ainda hoje, surgiu lá em 1997 e reinou absoluto na modalidade por 10 anos.

Diferenciando-se do UFC por ter um ringue em vez de octógono, o Pride foi mais popular do que o evento norte-americano. Brasileiros que hoje estão para encerrar a carreira, como Wanderlei Silva e Rodrigo Minotauro, foram ídolos na promoção oriental. E a esmagadora maioria dos japoneses, capitaneados por Sakuraba, lutavam no Pride.

Outra diferença é que o UFC teve (e ainda tem) visão expansionista. A organização não se prende aos EUA e tem uma série de eventos no Canadá e no Brasil. Está iniciando investidas na Ásia, México e busca consolidar a Europa. É um evento global. Já no Pride, 99% dos eventos aconteceram em solo japonês.

O público japonês gosta de sangue. O Pride fez muito sucesso porque era mais brutal que o UFC. Golpes como o pisão e o chamado “tiro de meta” são proibidos na versão americana. E os estrangeiros fizeram verdadeiros shows para os orientais.

Além do Pride, o Japão tem e teve inúmeros grandes eventos de MMA. É o caso do Shooto (onde Anderson Silva foi campeão antes de lutar no Pride, onde foi “apenas mais um” e no UFC) e do Pancrase, um dos primeiros eventos de MMA do mundo. Fora isso, foi no Japão que nasceu o K-1, maior organização de luta em pé do mundo.

Com a compra do Pride pelo UFC em 2007, a maioria dos japoneses ficom seu o “seu” evento. Até que em 2008 nasceu o Dream Fighting Championship, que herdou a tradição do Pride mas que fechou as portas anos depois.

Atualmente, os asiáticos têm como principal “casa” o One Fighting Championship. A promoção nasceu em Cingapura, mas têm crescido. Uma das principais estrelas é o americano Ben Askren, ex-campeão do Bellator e que foi cogitado no UFC.

E no One, os japoneses estão indo bem. o país detém atualmente três cinturões: dos meio-médios (Nobutatsu Suzuki), leves (Shinya Aoki) e penas (Koji Oishi).



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.