Flamengo e Fluminense fazem clássico mais previsível da história

O ato de prever resultados no futebol é, na maioria das vezes, equivocado. A imprevisibilidade é o que garante a esse jogo o interesse eterno de bilhões de fãs espalhados ao redor do planeta. É comum dizer que no futebol tudo pode acontecer, inclusive nada. No Fla-Flu, porém, foi diferente. Com o tricolor melhor tática e tecnicamente, era inevitável que o Flamengo mal escalado por Jayme de Almeida perdesse.

O Fluminense manteve a postura ofensiva adotada desde a chegada do técnico Cristóvão Borges. Tática e tecnicamente superior, o tricolor dominou o Flamengo na maior parte da partida e, mesmo quando recuou, soube manter-se ameaçador nos contra-ataque sem se sentir ameaçado pelas investidas do adversário.

O Flamengo, por sua vez, teve medo de ganhar. O bom 2º tempo contra o Palmeiras no domingo passado não passou confiança para o técnico Jayme de Almeida que optou por ir a campo com a tradicional inoperância dos três volantes. A falta de mobilidade do time foi tão grande que, no intervalo, o treinador sacou Luiz Antônio e colocou Negueba.

Os dez minutos iniciais da partida já mostraram quem era superior. Tocando a bola com facilidade e sem se expor aos contragolpes, o Flu tomou a iniciativa no jogo e fez 1 a 0 com Fred. Na jogada do gol, Felipe e Cárceres falharam e não conseguiram conter o centro-avante da seleção brasileira. Assim, com uma jogada bem ensaiada, Cristovão mostrava a superioridade de seu esquema, enquanto Fred a vantagem técnica do tricolor.

Após o gol, o Flamengo buscou sair mais para o jogo e teve até mais posse de bola, porém, isso não foi suficiente, já que sem mobilidade e criatividade, Lucas Mugni, Luiz Antônio, Márcio Araújo e Paulinho não conseguiam municiar Alecsandro. Alguma novidade nisso? Observando os duelos do Fla contra Goiás e Corinthians, fica evidente que não.

Para a 2ª etapa, Jayme tentou melhorar o poderio ofensivo da equipe aumentando o número de atacantes. De cara, sacou Luiz Antônio e pôs Negueba. Isso fez o rubro-negro correr e chutar mais, no entanto, Diego Cavalieri continuou a não ser exigido. Vendo a falta de resultado, o treinador fez outras alterações: Artur (atacante) e Muralha (volante) entraram nas vagas de Mugni e Cárceres. De 4-4-2, o Fla estava no 4-2-4, mas nem assim as coisas melhoraram. O time sentiu falta de talento.

Enquanto isso, Cristovão acompanhava as ações de seu adversário com muita calma. Confiante da postura tática escolhida para a equipe e, principalmente, da capacidade técnica dos seus jogadores, o técnico esperava o momento certo de definir o duelo. A deixa para isso veio quando Fred, cansado, pediu para sair. Walter entrou e com uma técnica singular, ajudou a reter a bola no campo ofensivo.

Não obstante, ainda faltava velocidade no contra-ataque e também um reforço na marcação, já que o Flamengo, ainda que sem criar grandes chances, tinha volume de jogo. Desta forma, Chiquinho entrou na vaga de Wagner e ajudou a fechar o lado esquerdo da defesa.

Com as peças novas, o Flu estava pronta para fechar o placar. Walter, no chão, ganhou bola de Muralha e lançou Conca que, com um passe certeiro, serviu Chiquinho para marcar o segundo gol.

O Fluminense saiu com a vitória por 2 a 0 e com a certeza de que a sua filosofia de jogo pode dar certo. Já o Flamengo precisa se reinventar rapidamente, pois a cada rodada que passa fica mais evidente que o time precisa encontrar um esquema tático em que renda melhor.

Foto: Alexandre Loureiro/VIPCOMM