Felipão aposta em time versátil para surpreender na Copa

Felipão

Ramires é meia ou volante? E Hernanes? Fernandinho? E Bernard, é atacante ou meia? Essas dúvidas e suas implicações são características da nova “Família Scolari” que disputará a Copa do Mundo.

A palavra-chave da Seleção Brasileira na Copa será versatilidade. Luiz Felipe Scolari priorizou atletas que saibam fazer mais de um papel dentro de campo.

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Isso explica também o porquê de o treinador ter escolhido Henrique (Napoli) em vez de Miranda (Atlético de Madrid) para a zaga. Além de ter trabalhado com o atleta no Palmeiras, Felipão gosta do que Henrique faz. Além de zagueiro, mesmo tecnicamente inferior a Miranda, sabe atuar como volante e até como lateral. Ponto para Henrique. David Luiz também é dois em um. O zagueiro da Seleção joga muitas vezes como volante no Chelsea. Bom para Felipão, que tem volantes que sabem sair para o jogo e pode aproveitar o camisa 4 no setor, liberando outros atletas para atacar.

A polivalência também acontece com os meio-campistas. A separação entre meias e volantes é perigosa quando se trata de Ramires, Hernanes e Fernandinho. O trio faz bem a dupla função de atacar e armar o jogo. Uns com mais predileção para o ataque (Hernanes), outros, na defesa (Ramires e Fernandinho), mas todos com plena capacidade de exercer bem os dois fundamentos. Paulinho também é versátil, mas é menos meia e mais volante do que todos eles.

No ataque, há um híbrido de meia e atacante que é Bernard. O jogador do Shakhtar Donetsk não é um meia clássico, de pensar o jogo (não há nenhum desses na Seleção), mas é veloz e driblador. Tanto pode jogar aberto, como um ponteiro (funções que são exercidas por Hulk e Neymar), como pode recuar para auxiliar Oscar na armação. Willian também tem capacidade de fazer esse papel.

Neymar e Hulk vão correr pelos lados e ajudar a recompor a marcação. Mas o camisa 10 ficará livre, leve e solto para fazer o que quiser pelo gramado. Poderá recuar para o meio de campo, vir com a bola dominada de trás, ficar na área com Fred… Não deve haver limites para o jogador mais talentoso do Brasil.

O plano tático padrão de Scolari é um misto de 4-3-3 com 4-2-3-1. A defesa é a de sempre: Julio Cesar no gol, Daniel Alves e Marcelo nas laterais, Thiago Silva e David Luiz na zaga. Os volantes devem ser Luiz Gustavo e Paulinho, sendo o primeiro mais plantado e o segundo mais solto. Oscar, centralizado, com Hulk à direita e Neymar na esquerda, formarão uma linha de três “meias-atacantes”, com Fred postado na área finalizam o time.

A primeira variação é da linha Oscar-Hulk-Neymar. O primeiro desenho é o trio atuar “em bloco”, uma autêntica linha de três, com Fred à frente, recebendo cruzamentos e passes.

A segunda hipótese é Hulk e Neymar avançarem e formam outra linha de três, agora, com Fred. Aqui, os dois ponteiros terão de recuar e atacar constantemente, enquanto Oscar seria um municiador de bolas. Ideia pouco plausível, já que o atleta do Chelsea lembra mais Kaká do que Paulo Henrique Ganso.

A terceira possibilidade é Oscar receber a companhia de Neymar ou Hulk na armação. E Fred, a presença de Hulk ou Neymar na área. Willian, Hernanes e Bernard, no setor criativo, serão bem vindos.

 

Foto: Rafael Ribeiro/CBF



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.