Dilema do futebol atual: estádios cheios ou bolsos cheios?

O Maracanã é, sem dúvidas, o estádio mais apaixonante do Brasil. Criado com a alcunha de o maior do mundo, o local é um místico palco de futebol onde grandes craques desfilaram e multidões lotaram sua arquibancadas. Hoje, porém, não é bem assim.

Na chamada era moderna do futebol, o Maracanã é mais uma das muitas arenas que existem por aí. Administrado por um consórcio de empresas, o local cobra caro para realizar jogos com mais conforto – mas sem a mesma emoção.

Isso acaba gerando uma dualidade de perspectivas em torno de como este esporte bretão deve ser encarado: estádios cheios ou bolsos cheios? Tomando como exemplo o último final de semana, em que Flamengo e Fluminense mandaram seus jogos no Estádio Mario Filho, é possível perceber que há duas maneiras de enxergar as partidas.

No sábado, o Tricolor enfrentou o Vitória diante de 44.975 pessoas (público pagante) e obteve uma renda de R$ 609.195,00. No domingo, o Rubro-negro venceu o Palmeiras contando com o apoio de 21.082 pessoas (público pagante) e conseguiu arrecadar R$ 763.125,00. O curioso disso é que, com menos da metade do público pagante do time das Laranjeiras, o Fla angariou R$ 153.930,00 a mais.

A explicação para isso é muito simples: enquanto o Fluminense cobrou ingressos de R$ 10, R$ 30 e R$ 160, o Flamengo ofereceu os bilhetes mais baratos no valor de R$ 60. Independente do resultado das partidas, é inegável que o aspecto do Maracanã lotado como no jogo do Tricolor é muito melhor do que o isolados pontos em vermelho e preto que ocuparam o mesmo Maracanã na partida do clube da Gávea.

O ideal seria que todos os times tivessem seus estádios e que os mesmos vivessem cheios, cobrando ingressos a preços acessíveis para a maior parte da população brasileira. No entanto, isso é uma utopia e a nossa realidade indica que os clubes têm que escolher entre lotar seus jogos ou encher seus bolsos. Às vezes é possível fazer os dois, mas isso é uma exceção, não regra.

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