Escolha de papel de vilão faz Piquet ser ‘esquecido’ entre os melhores da F1

Nelson Piquet está na seleta lista dos cinco pilotos que conseguiram um tricampeonato na Fórmula 1. Somente quatro na história conquistaram mais títulos do que ele (Michael Schumacher, Juan Manuel Fangio, Alain Prost e Sebastian Vettel). Mas por que ele dificilmente é considerado entre os melhores da F1? A meu ver, porque escolheu o papel de vilão.

A revista mais conceituada do mundo da Fórmula 1, Autosport, chegou a fazer em 2009 uma pesquisa com os pilotos sobre quem eles consideravam o maior da história. Ayrton Senna ganhou a eleição. Nelson Piquet foi apenas o décimo terceiro, atrás até de Gilles Villeneuve, que não ganhou título. Ele foi o terceiro brasileiro mais lembrado, perdendo para Emerson Fittipaldi, bicampeão mundial.

Piquet nunca fez questão de ser querido no meio da Fórmula 1. Sempre falou o que pensava. A autenticidade é uma marca na sua trajetória, agradando ou não aos fãs da velocidade.

Esta característica de Piquet acabou de certa forma o afastando dos fãs comuns da Fórmula 1. Por que vou adorar um cara que não acho simpático? Claro que o brasileiro tem vários fãs fanáticos por ele, mas muito longe da paixão que Ayrton Senna desperta.

Piquet tem muitos méritos na Fórmula 1. Foi campeão por duas vezes com a Brabham, equipe que está longe de ser uma Williams ou Ferrari. Já obteve resultados expressivos com carros que ele ajudou a arrumar. Deixou legados como o balanço dos freios e até o pit stop! Está certamente entre os melhores pilotos da rica história brasileira na F1.

Sem entrar no mérito de quem é o melhor, mas por que Senna é tão exaltado e Piquet esquecido? Simples. Senna se aproveitou bem do papel de mocinho que os fãs lhe deram, da mesma forma que Piquet gostou de ser vilão da história. Os heróis são eternos. Os vilões, nem sempre.

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Jornalista de esportes desde 2005, com passagem pelo UOL e Terra. Editor de comunidades do Torcedores.com e blogueiro do renanprates.com