Brasil e EUA dominam o MMA mundial

Na geopolítica do MMA, é possível apontar duas superpotências: Brasil e Estados Unidos. Os dois países dominam o mundo das lutas. O domínio não é 100%, já que canadenses e russos também já conquistaram títulos importantes nos torneios. Mas que a predominância no campo de guerra é entre as duas nações.

Parte disso possa ser explicado no surgimento do maior evento de MMA de todos, o Ultimate Fighting Championship. Nascido em 1993, nos EUA, o UFC é fruto da mente de um brasileiro: Rorion Gracie, filho de Helio Gracie, considerado um dos criadores do jiu-jitsu no mundo. Rorion queria provar que sua arte marcial era a melhor de todas. Por isso, criou um evento em que oponentes de diversas modalidades lutariam entre si em uma arena em forma de octógono. Valia quase tudo. Daí o nome do esporte, à época, “vale tudo”.

De vale tudo a MMA, muita coisa mudou, cresceu e, principalmente, se dividiu.Enquanto Rorion iniciava nos Estados Unidos o que iria se tornar um gigantesco império (e não viria a participar, já que saiu após o UFC 5) nas mãos dos irmão Fertitta e de Dana White, empresários que compraram a organização em 2011, seu irmão Rickson Gracie impressionava o Japão com o Pride Fighting Championship.

A promoção oriental ganharia espaço, sobretudo, com lutadores brasileiros, que se tornaram campeões, e, consequentemente, ídolos. No UFC, o cenário se repetiu, em menor escala. Lá, são os atletas da casa que mandam.

Atualmente, os americanos dominam sete das nove divisões. Cain Velásquez (pesados), Jon Jones (meio-pesados), Chris Weidman (médios), Johny Hendricks (meio-médios), Anthony Pettis (leves) Demetrius Johnson (palhas) e Ronda Rousey (galo feminina) são os campeões dos EUA. José Aldo (pena) e Renan Barão (galo) detém os cinturões brasileiros.

A supremacia do Brasil no UFC já foi maior nos últimos anos, quando o país chegou a ter campeões nos pesados, meio-pesados e médios. Mas, historicamente, quem manda no Ultimate são os americanos.

Na história dos pesos pesados, são 11 campeões americanos, dois brasileiros (Rodrigo Minotauro e Junior Cigano) e dois de outros país (o holandês Bas Rutten e o bielorruso Andrei Arlovski).

Nos meio-pesados, oito americanos já colocaram o cinturão no corpo; três brasileiros (Vitor Belfort, Lyoto Machida e Mauricio Shogun) completam a lista.

Nos médios, foram quatro americanos contra dois brasileiros (além de Anderson Silva, Murilo Bustamente também foi campeão).

Entre os meio-médios a vantagem é maior: 5 a 0 para os EUA; nos leves, é goleada: 6 a 0 para os americanos. Mas a situação fica mais equilibrada nas categorias levinhas: o único campeão dos penas é brasileiro enquanto no galo, há empate: 1 a 1.

Os únicos campeões das categorias mosca e galo feminina também são americanas.

Equilíbrio japonês – Se a história mostra que o UFC é dominado pelos americanos, no Pride os brasileiros conseguiram equilibrar a balança. E brilhar bem mais.

Os únicos campeões do peso pesado foram Rodrigo Minotauro e o russo Fedor Emelianenko. Entre os médios, Wanderlei Silva e o americano Dan Henderson, que seria também o único campeão dos meio-médios. Entre os leves, apenas o japonês Takanori Gomi conquistou o cinturão.

Nos torneios e Grand Prix do evento japonês, o Brasil se saiu melhor que os EUA: embora ambos os países tenham o mesmo número de conquistas (duas), os brasileiros foram três vezes vice, enquanto os americanos bateram na trave em duas ocasiões.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.