Ausência de equilíbrio está sendo fatal para Corinthians e São Paulo

Cinco gols. Foi o que a defesa do São Paulo levou na última quarta-feira. E é também o total de gols que o Corinthians fez no Brasileiro até aqui.

Três gols. Foi o que a defesa do Corinthians tomou até aqui. É menos do que os quatro que São Paulo levou no segundo tempo, no Maracanã.

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A completa ausência do tão almejado equilíbrio está sendo fatal para ambos os clubes no campeonato.

Contra o Flu o São Paulo fez o mais difícil. Jogando fora de casa, marcou dois gols no primeiro tempo. Não só saiu na frente como fez o segundo gol após levar o empate, o que normalmente joga um banho de água fria no adversário. E desceu para o intervalo na frente do placar: desejo de 10 entre 10 técnicos para uma partida.

O Corinthians, por sua vez, seguiu sua estratégia de “jogar por uma bola”. Ela veio num pênalti discutível – mas vá lá, até foi, embora o juiz pudesse ser perdoado se não tivesse marcado. Depois disso voltou a insistir em controlar o jogo em vez de tentar o segundo gol, que certamente decidiria a partida. Foi punido pelos “deuses do futebol” e saiu do Canindé com um empate péssimo, conquistando apenas um ponto em seis disputados em casa.

Atenção: isso não é jogar pelo resultado. Jogar pelo resultado é ser inteligente, explorar seus pontos fortes ofensivos e tentar matar o jogo em vez de se retrancar. Se chegarmos aos 40 minutos do segundo tempo com apenas um gol de vantagem, aí sim o time pode se fechar. O que o Corinthians faz é suicídio. Nenhum adversário pode atacar e ter a tranquilidade de que não será atacado

O São Paulo ainda volta do Rio de Janeiro com aproveitamento de 50%. Parece bom, mas poderia ser melhor: poderia ser o terceiro colocado, e teria um confronto direto contra o vice-líder Grêmio em casa no próximo sábado. Agora se vê diante de uma potencial crise. Afinal, não vencer em casa após uma goleada não vai deixar a torcida feliz.

Sem contar que vários jogadores estão pressionados. Ceni falhou duas vezes e precisa se redimir.  O jovem Lucão foi mal demais no lance do gol contra. Sozinho, teve tempo para estourar a bola para qualquer lado, mas ficou olhando a bola bater no joelho e entrar. Mas não ficou olhando sozinho. A defesa do São Paulo assistiu Walter e Sóbis

A Crise também ronda Itaquera (ou o parque São Jorge, por força do hábito). O Corinthians, em determinado momento, foi terceiro colocado. Poderia ter terminado a rodada em quinto. E agora precisa se reabilitar na Ilha do Retiro, contra o Sport. Péssimo negocio. O empate em Recife já parece ser uma boa.

A boa idéia, aliás, seria juntar a defesa de um com o ataque do outro. Cássio, Fagner, Gil, Cleber e Fabio Santos; Ralf, Bruno Henrique e Ganso; Osvaldo, Pato e Luís Fabiano. Esse time teria saldo positivo de oito gols, o melhor do campeonato. Isso sim seria um time equilibrado, que certamente estaria no G4.



Jornalista. Discursos prontos para a agradar a opinião pública me incomodam.