As últimas 72 horas de Ayrton Senna

Aconteceu em 1º de maio de 1994, há exatos e tristes 20 anos, a morte de um herói: Ayrton Senna da Silva.

Em 1994, Senna fazia sua estreia pela Willians, após uma saída conturbada da McLaren. Na nova escuderia, porém, o início não foi dos melhores e, sem vencer, o piloto brasileiro chegava ao Grande Prêmio de San Marino sob pressão.

DESTAQUES
Fracasso dos sucessores faz Senna continuar vivo também nas pistas
10 Momentos que transformaram Senna em mito na Fórmula 1
Opinião: Morte de Senna virou ‘fantasma’ para brasileiros na F-1
Senna é dono da melhor volta da história da F1; relembre
Globo faz série equilibrada sobre Senna e mostra até críticas de Galvão

O caminho para reverter essa situação era um só: “o que eu preciso fazer aqui é andar mais rápido”, disse Senna em entrevista ao Jornal do Brasil (29/04/94). Seguindo essa tática, o tricampeão esperava voltar ao topo do pódio.

A grande motivação de Senna na Fórmula 1 era superar o recorde de Juan Manuel Fangio, piloto argentino que detinha cinco títulos conquistados na década de 50. Para isso, vencer o campeonato de 1994 era essencial.

Contra si, o piloto da Willians tinha o retrospecto de que, a exceção do australiano Jochen Rindt em 1970, nenhum outro piloto havia conquistado o título sem marcar pontos nas duas primeiras corridas da temporada. Curiosamente, Rindt morreu naquele ano após sofrer um acidente do GP da Itália, em Monza. Como àquela altura o piloto havia feito uma boa pontuação, foi declarado campeão póstumo ao termino da temporada, contando com ajuda de um jovem brasileiro, Emerson Fittipaldi, que ganhou sua primeira corrida de Fórmula 1 em Watkins Glen, última prova do ano e impediu que o belga Jacky Lckx conquistasse o título. Esse era um dos muitos sinais que a morte mandaria nas próximas 72 horas.

No treino de sexta-feira (dia 30/04/1994), o brasileiro Rubens Barrichello escapou da morte ao sair da pista com seu carro da Jordan, bater no alambrado, capotar várias vezes e terminar de cabeça para baixo. Como resultado, ele fraturou o nariz e a costela, ficando de fora da corrida no final de semana. Senna, neste treino, conquistou a pole provisória.

No dia seguinte, Senna, novamente, foi o mais rápido. O destaque, porém, não foi a hegemonia do brasileiro, mas sim o acidente fatal com o australiano Roland Ratzenberger, da Simtek-Ford. O piloto bateu no muro de proteção da curva de Tambarello a 320 km/h e faleceu. As equipes da Benetton, da Sauber e da Willians retiraram seus pilotos da prova por falta de condições emocionais, o que era o derradeiro aviso de que a morte estava presente em Ímola.

Apesar de tudo isso, a corrida aconteceu no dia 1º de maio de 1994. Ayrton Senna largou na pole, seguido por Michael Schumacher, da Benetton. Logo na largada, os pilotos Pedro Lamy e J.J. Letho se envolveram em um acidente, cujos destroços chegaram as arquibancadas e feriram quatro pessoas.

A tensão só aumentava na corrida de 61 voltas. Na oitava volta, contudo, o momento trágico aconteceu. Ayrton Senna entrou na curva de Tamburello a mais de 300 km/h, perdeu o controle do carro e se chocou contra o muro de concreto. A nação brasileira que acompanhava a corrida pelo rádio e pela televisão entrou em choque. Crianças, adolescentes, adultos e idosos ouviram e assistiram, incrédulos, a morte que marcaria suas vidas até hoje. Desde este dia marcante, as corridas de fórmula 1 nos domingos perdeu a graça. Não mais por quem o Brasil torcer, já que seu herói não estava mais lá.

Veja também 20 frases marcantes de Ayrton Senna: