Glover pode tirar coelho da cartola para bater Jon Jones; veja como

O brasileiro Glover Teixeira terá a chance de tomar o cinturão dos meio-pesados do UFC neste sábado (26). Em Baltimore, nos EUA, o mineiro de Sobrália terá de passar pelo campeão mais dominante da organização desde a queda de Anderson Silva no ano passado: Jon Jones.

Aos 26 anos, Jones é o rei dos meio-pesados desde março de 2011, quano nocauteou o brasileiro Mauricio “Shogun” Rua no UFC 128. Desde então, praticamente limpou a categoria. Enfileirou Quinton “Rampage” Jackson (finalizado com um mata-leão no UFC 135), Lyoto Machida (dormiu após uma guilhotina em pé no UFC 140), Rashad Evans (por decisão unânime no UFC 145), Vitor Belfort (finalizado com uma americana no UFC 152) Chael Sonnen (nocauteado no UFC 159), e, por fim, Alexander Gustafsson (por decisão unânime no UFC 165).

O americano tem 19 vitórias e apenas uma derrota na carreira, por desqualificação após aplicar cotoveladas ilegais em Matt Hamill na final do “The Ultimate Fighter 10”, em dezembro de 2009.

Jones chuta bem. Jones soca bem. Tem navalhas no lugar dos cotovelos. E sabe muito bem disso. O americano é um lutador inteligente, que tem como estratégia principal levar adversários para o solo e castigá-los com cotoveladas poderosas. Longe de ser um lutador unidemensional, Bones sabe travar os oponentes no solo e finalizar.

Mas o americano também é humano. Seu último rival, o sueco Alexander Gustafsson mostrou que é possível fazer frente ao campeão. Trocou porrada de igual para igual e conseguiu um grande feito: levou Jon Jones para o solo. Perdeu nos pontos, mas mostrou o caminho das pedras.

O europeu tinha algo que Glover não tem: tamanho. Gustafsson é um meio-pesado do porte de Jon Jones, explodindo para a categoria dos pesos pesados e alto.

O desafio de brasileiro será gigante. Literalmente.

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Com 1,93m, o americano tem uma envergadura de 2,15m, o que lhe dá enorme vantagem na luta em pé. Não que o mineiro seja ruim em pé. Ao contrário. Teixeira vai para cima sem dó. Mas é mais baixo (1,87m), o que significa que o controle de espaço será todo do campeão.

Pesa a favor do brasileiro o fato de ser versátil. Ou seja: não tem tempo ruim para o mineiro de Sobrália. Se a luta for para o solo, o jiu-jitsu de Glover é capaz de dar alguma emoção à luta. Em pé, apesar de não ser um combatente dos mais ágeis, tem punch para nocautear. E Teixeira sabe travar o adversário no clinch.

Glover tem experiência de sobra. Aos 34 anos, tem 22 vitórias e apenas duas derrotas no cartel. Está invicto desde 2006. No UFC, onde chegou em maio de 2012, estreou finalizando Kyle Kingsbury e depois venceu gente do porte de Fábio Maldonado, Rampage Jackson, James Te Huna e Ryan Bader.

Para se dar bem em Baltimore, o brasileiro precisará dar velocidade à luta. Como tem braços mais curtos, terá de entrar e sair do raio de ação de Jon Jones com rapidez. Bater e sair. Cortar para os lados. Não é exatamente a característica de Glover, mas pode ser uma adaptação interessante ao jogo do mineiro. Se deixar Bones controlar o espaço e, pior, levá-lo ao chão, pode ser fim de combate após algumas cotoveladas.

O favoritismo é todo de Jon Jones, que, se tudo correr de acordo com as condições normais de temperatura e pressão, defenderá o título pela sétima vez. Mas Glover pode tirar um coelho da cartola.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.