Palmeiras volta a enxergar São Paulo como inimigo

A velha rivalidade entre Palmeiras e São Paulo voltou à tona nesta segunda-feira (28). O presidente alviverde, Paulo Nobre, confirmou o que já estava acertado há dias: o atacante Alan Kardec deixa o Palestra Itália rumo ao Morumbi.

Valores financeiros à parte, o presidente do Verdão, Paulo Nobre, disparou a metralhadora no time tricolor. Acusou a diretoria são-paulina, primeiramente, de falta de ética.

“Outros times me ligaram e falaram que tinham interesse, e quando eu encerrasse a negociação iriam entrar. Agora, (agir) de maneira sorrateira é totalmente antiético. Os clubes são desunidos. Na hora de negociar contratos, somos fracos. De que adianta dar “passa-moleque” em alguém se você continua fraco?”, questionou.

Depois, afirmou que a relação entre alviverdes e tricolores será péssima na gestão de Carlos Miguel Aidar, recém-eleito presidente do clube do Morumbi: “A relação entre Palmeiras e São Paulo é péssima desde os anos 40 e com essa administração não será diferente. Somos éticos e não bonzinhos, e continuaremos com nossa política.”

Nobre evidencia, numa espécie de rancor de torcedor traído, a máxima que os palmeirenses mais antigos defendem até hoje: o Corinthians é o rival; o São Paulo, o inimigo. Quando era repórter de um jornal de São Paulo, ouvi afirmação semelhante de ninguém menos que o ex-goleiro alviverde Oberdan Cattani, um dos maiores ídolos do Palestra Itália.

Reza a lenda que dirigentes são-paulinos pressionaram autoridades do governo federal na época da 2ª Guerra Mundial – o que provocou a mudança do nome do Palestra Itália para Palmeiras. Desde então, os dois times, que têm seus centros de treinamento lado a lado na zona oeste de São Paulo, vivem em pé de guerra. E, pelo jeito, não vão mudar tão cedo.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.