Opinião: Werdum vai ter que suar para bater Cain Velasquez

“Estou bem feliz, no melhor momento da minha carreira não só como lutador, mas também como comentarista e embaixador do UFC na América Latina. Acho que, eu ganhando esse cinturão do Cain, vou ficar só como comentarista mesmo (risos).”

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Foi dessa forma, em entrevista ao site “Combate.com”, que Fabricio Werdum afirmou, brincando, que se aposentará se conseguir tirar o cinturão dos pesos-pesados do UFC do norte-americano Cain Velasquez. O brasileiro foi confirmado como o próximo desafiante ao título após a vitória por pontos sobre o americano Travis Browne, no último sábado (19).

Especialista em jiu-jitsu e bom na trocação a ponto de neutralizar batedores fortes como Browne, “Vai cavalo” merece a oportunidade. O triunfo incontestável sobre Browne, por decisão unâninime, foi o quarto seguido do gaúcho. Antes, vencera os americanos Roy Nelson (decisão unânime) e Mike Russow (nocaute) e o compatriota Rodrigo Minotauro por finalização. Está invicto desde que retornou ao UFC, após uma passagem de três combates pelo Strikeforce.

Aqui, vale um parêntese. Embora tenha se despedido da organização do hexágono (diferentemente do octógono que fez a fama do UFC, o Strikeforce utilizava um ringe de seis lados) perdendo para o holandês Alistair Overeem, em junho de 2011 – derrota que, aliás, é a última do brasileiro -, foi ali que ele conseguiu o maior feito da carreira: finalizou com um triângulo o russo Fedor Emelianenko, considerado uma lenda do MMA.

Com tal credencial, é difícil afirmar que o cinturão do UFC é impossível para Werdum. No entanto, Velasquez é o adversário mais difícil da carreira do gaúcho.

Primeiro, pela responsabilidade. Se Emelianenko era, para muitos (me incluo), o lutador mais dominante a pisar em um ringue/hexágono/octogóno/rinha de galo, Werdum era um completo azarão que chocou o mundo. Tal situação não se repetirá contra Cain Velasquez. Ou seja: a pressão sobre o brasileiro será infinitamente maior do que naquele 26 de junho de 2010.

Segundo que Velasquez é uma pedreira das mais brutas. Excelente no kickboxing e com carreira vitoriosa no wrestling universitário (foi duas vezes All-American), o campeão é uma máquina de bater, com alto volume de golpes e pouquíssimos sinais de cansaço. Tem, também, um queixo de aço, capaz de absorver patadas de trogloditas como Cheick Kongo, Ben Rothwell e Brock Lesnar sem problemas.

Teceiro: a luta será no território do rival, no México. Por isso, o brasileiro pode esperar vaias em todos os momentos da luta. É claro que isso não machuca, mas, em um dia mais instável pode tirar a concentração para o embate.

Cartel por cartel, Werdum tem a experiência a favor. São 18 vitórias, cinco derrotas e um empate, em eventos como Jungle Fight, Pride, Strikeforce e o próprio UFC. Mais jovem (tem 31 anos, contra 36 do brasileiro), Velasquez tem 13 vitórias na carreira e apenas um revés, para o brasileiro Junior Cigano (para quem perdeu, retomou e confirmou o título dos pesados).

Em um combate longo, de cinco rounds, a vantagem tende a ser em prol do campeão. Se a luta se mantiver em pé ou travada na grade, no cliche, idem. Para Werdum, o melhor dos mundos é conseguir colocar Velasquez no chão, praia que o gaúcho domina como poucos na categoria dos maiores homens do UFC.

Para se dar bem, a chave para Werdum é afiar a trocação a ponto de incomodar o rival. E, claro, manter o jiu-jitsu em dia. Nas palavras do próprio lutador:

“Eu acho que o jogo do Cain casa com o meu. Ele gosta de ir para o chão. Não sei se ele vai manter isso, mas acho que vai, porque o Cain é um cara bem confiante no chão. Ele bate muito bem ali. Tem aquele jogo bem chato, bate muito bem em cima, controla muito bem no chão. Vou treinar muito jiu-jítsu e muito muay thai para poder fazer a melhor luta da minha vida”, disse ao “Combate.com”.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.