Opinião: Morte de Senna virou ‘fantasma’ para brasileiros na F-1

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Desde que Ayrton Senna morreu, há 20 anos, o máximo que um piloto brasileiro chegou perto do título da Fórmula 1 foram três vice-campeonatos. O jejum perdura desde 1991 (ano do último campeonato vencido por Senna) e não demonstra que vai acabar tão cedo.

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Rubens Barrichello, Felipe Massa, Christian Fittipaldi, Pedro Paulo Diniz, Roberto Pupo Moreno, Ricardo Rosset, Tarso Marques, Ricardo Zonta, Luciano Burti, Enrique Bernoldi, Antônio Pizzonia, Cristiano da Matta, Nelsinho Piquet e Bruno Senna foram os representantes do país desde 1994. A maioria sequer é lembrada pela maior parte do país.

Fato é que a morte de Senna gerou duas consequências inevitáveis e interligadas: a pressão em todos esses nomes (principalmente em Rubens Barrichello, o mais experiente do grupo) e gerou uma diminuição no interesse geral em automobilismo. Viu-se, na prática, a velha máxima de que brasileiros não gostam de esporte, mas de vitórias.

“Eu não estava querendo suprir a falta do Ayrton, mas sim queria simplesmente dar um gostinho especial para os brasileiros”, admitiu Barrichello.

Corintiano como Senna e muitas vezes criticado injustamente, Rubinho foi quem chegou mais perto da glória. Guiando a Ferrari, foi vice-campeão em 2002 e 2004, além de um 3º lugar em 2001. O azar dele foi ter como companheiro de equipe o alemão Michael Schumacher – que faturou as temporadas 1994, 1995 e deixou todo mundo comendo poeira entre 2000 e 2004.

Felipe Massa, também a bordo da Ferrari, quase foi campeão em 2008. Perdeu o título para Lewis Hamilton na última curva. Hoje, é o único piloto brasileiro na Fórmula 1, guiando a Williams, última escuderia de Ayrton.

Os próximos que vierem, invariavelmente, sofrerão pressões. Até que alguém liberte os pilotos brasileiros desse “fantasma”.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.