Opinião: Bom Senso F.C. tem de se posicionar sobre racismo

O Bom Senso F.C. foi um sopro de ânimo para quem deseja futebol mais organizado, com equipes melhor administradas, com menos divídias e um calendário mais interessante. A pauta do grupo de jogadores não contempla racismo. Contudo, já passou da hora de os atletas profissionais se unirem e tomarem medidas concretas para coibir a discriminação.

O caso mais recente aconteceu na Europa. No domingo (27), o lateral Daniel Alves, do Barcelona, foi alvo dos insultos da torcida do Villarreal. Mas não é só na Espanha que há racismo.

Em plena cidade de Mogi Mirim, o volante Arouca, do Santos, foi xingado de macaco por torcedores do time da casa, durante partida do Campeonato Paulista. A cena, lamentável, aconteceu no dia 6 de março. Menos de um mês antes, foi a vez de o volante Tinga, do Cruzeiro, sofrer com as imitações de macaco por parte da torcida do Real Garcilaso, do Peru, durante um jogo da Libertadores.

E o Bom Senso, onde fica? De acordo com o goleiro Dida, do Internacional e um dos líderes do grupo, de mãos atadas:

“Por ora não podemos fazer absolutamente nada porque nossa proposta principal são essas duas [mudança no calendário e fair-play financeiro], mas futuramente, com o fortalecimento, com certeza nossas ideias vão aparecer para que situações como essa não se repitam”, afirmou o veterano durante seminário do grupo realizado em março.

As propostas do Bom Senso F.C. são louváveis. Mas, para o bem do futebol, é cabível que os atletas incluam na pauta de reivindicações atitudes mais severas de federações, confederações e entidades reguladoras do futebol para casos de racismo.

Nada de multas, perda de pontos e mandos de campo. Exclusão sumária. Racismo é crime e deve ser tratado como tal.

 



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.