Opinião: o futuro de Minotauro

O nocaute sofrido diante do norte-americano Roy Nelson na última sexta-feira (11), em Abu Dhabi, mostra que carreira de Rodrigo Minotauro no MMA está em seus últimos capítulos. O baiano não resistiu à pesada mão direita do gordinho e acumulou, pela primeira vez, duas derrotas consecutivas.

Aos 37 anos, com histórico no mundo das lutas de fazer inveja a muitos rivais, Minotauro poderia pendurar as luvas em paz. Antes disso, porém, ele quer, pelo menos, mais dois combates: contra o norte-americano Frank Mir e, claro, a revanche contra Roy Nelson.

O “alvo” foi o primeiro lutador a nocautear o brasileiro, no UFC 92, em dezembro de 2008 (a vitória garantiu ao americano o cinturão interino dos pesados).

Três anos depois, no UFC 140, o baiano conheceu a habilidade do rival no chão: em um combate praticamente vencido, com Mir semi-nocauteado, Minotauro quis partir para a finalização e envolveu o pescoço do norte-americano em uma gilhotina. Considerado um dos melhores lutadores de jiu-jitsu entre os pesos-pesados do UFC, Mir tirou um coelho da cartola, inverteu a posição e quebrou o braço direito de Minotauro com uma kimura que dói até hoje nos fãs do brasileiro, pela primeira vez finalizado.

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Por essas e outras, Minotauro quer vingança. “Talvez uma última luta contra Frank Mir para se aposentar”. Ele mencionou isso antes de sua luta contra Roy Nelson ser marcada. “Ele simplesmente não pode viver sem se vingar dessas derrotas”, disse o empresário do lutador, Jorge Guimarães, o Joinha, ao site “MMA Fighting”.

Há quem diga que o combate reunirá dois atletas decadentes. Se Minotauro está descendo a ladeira com duas derrotas seguidas, Mir, então, já rolou o que podia. O americano perdeu os últimos quatro combates (intercalou nocautes para Junior Cigano e Josh Barnett e derrotas nos pontos para Daniel Cormier e Alistair Overeem) com desempenhos sofríveis.

Pode ser a derradeira chance de Minotauro se aposentar por cima. Embora o lutador esteja longe de seus melhores dias (e a luta contra Roy Nelson mostrou que ele está bem longe mesmo disso), Mir tem queixo de vidro.

A principal arma é o jiu-jitsu, palco conhecido pelo brasileiro. Combate interessante para a sobrevivência de ambos no UFC, caso a aposentadoria seja um plano passageiro após uma derrota inesquecível.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.