José Mourinho: o homem que provoca silêncio

José Mourinho é o tipo de pessoa que você pode amar ou odiar. Ele não dá brechas para o meio termo. O estilo de jogo de seus times, no entanto,  admite variações: às vezes marca bastante, o que muitos chamam de retranca; em outras oportunidades, ataca incessantemente. Seja como for, em ambas as situações, o time de “the special one” consegue ser eficaz.

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Para a partida contra o Liverpool, no Anfield Road, Mourinho deixou claro através das entrevistas que não teria muito o que fazer. Focado na partida de quarta-feira pela Champions League contra o Atlético de Madrid, o Chelsea entraria em campo com um time recheado de reservas e tentaria segurar o líder do campeonato e já virtual campeão.

E foi exatamente isto que aconteceu. Com dois gols marcados, um no final de cada tempo, Demba Ba e William tornaram possível que o esquema de José Mourinho desse certo. Mas, José Mourinho vai além disso: ele pegou toda a empolgação do Liverpool e, amarrando o jogo, a transformou em ansiedade. O Liverpool teve mais bola (em torno de 73%) e deu mais chutes à gol (foram 26 finalizações), porém, quando a bola não ficava presa na muralha azul, Schwarzer aparecia e com grandes defesas, matava o sonho dos Reds.

Obviamente, que a boa atuação individual dos atletas do time londrino foi determinante para o resultado alcançado, mas até para isso Mourinho é importante: o experiente goleiro australiano que substitui Cech, por exemplo, chegou ao Blues a pedido do treinador português.

Mourinho é um especialista em provocar silêncio em estádios que tradicionalmente não param de cantar. Ele fez isso pelo Porto, na temporada 2003/2004, quando calou o Stade de Gerland e o Estadio Municial de Riazor. Com a Inter de Milão, o Stramford Bridge e o Camp Nou também tiveram que se curvar a ele. Mais recentemente, o Vicente Calderón e o Anfield Road se somaram a esta lista.

Na quarta-feira, porém, o pitoresco treinador terá que fazer o inverso. O estádio do Chelsea terá que cantar e muito para ajudar a equipe a superar o também eficiente Atlético de Madrid, de Diego Simeone. Mas, José Mourinho também sabe fazer isto, como provou na heroica classificação diante do PSG.