Entre pérolas, presidente do São Paulo passa por conflitos de interesse na CBF

A derrota para o CRB-AL na noite de quarta-feira (23), pela Copa do Brasil, mostrou ao novo presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, que sua gestão no Tricolor não será das mais fáceis.

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A começar pelo óbvio, o “campo-bola-três pontos”. O clube não jogou bem em Alagoas, apesar do golaço de bicicleta marcado por Ademilson. Faltou gana. Uma eliminação no jogo de volta, dia 7 de maio, pode aumentar a pressão no clube.

Fora dos gramados, a coisa é mais complicada. Sucessor apontado por Juvenal Juvêncio, Aidar não começou ontem na política da bola. Do Tricolor, foi presidente entre 1984 e 1988. Foi um dos fundadores e primeiro mandatário do Clube dos 13. Da CBF, é advogado.

A última atribuição, justamente, é a mais problemática. Há claro conflito de interesses. O presidente do São Paulo, ao mesmo tempo, é o advogado da CBF. É Aidar, pessoalmente, que cuida dos interesses da entidade no caso Portuguesa. É o presidente do Tricolor quem prepara a defesa da CBF contra liminares de torcedores da Lusa.

Além da clara proximidade com o poder (vale lembrar que o presidente da CBF, José Maria Marin, é são-paulino e votou em Aidar na eleição do novo mandatário tricolor), a dupla jornada de Aidar abre um precedente perigoso. Será que ele defenderá a CBF em um caso que o São Paulo estiver envolvido?

Na hora de abrir a boca, então, Aidar tem se mostrado discípulo de Juvenal Juvêncio. Enquanto o ex-presidente soava folclórico, o novo mandachuva soa como preconceituoso. Vejamos suas últimas entrevistas.

No fim de março, quando ainda era candidato à sucessão de Juvenal, o advogado disparou contra o Itaquerão: “Aquilo la é outro mundo, outro país, não dá para chegar lá”, disse em entrevista à ESPN.

Alguém se lembra de Juvenal Juvêncio? Em 2010, o agora ex-presidente afirmou que “para chegar lá [em Itaquera], você tem de chamar o Corpo de Bombeiros”.

Aidar foi além. Disse que o jogador dos sonhos para o São Paulo é Kaká. Não só pela bola. “Tem a cara do São Paulo, alfabetizado, tem todos os dentes na boca, fala bem, joga bem, faz gols”, afirmou à Rádio Bandeirantes no último dia 22.

Depois, à Sportv, o mandatário se corrigiu e disse que estava brincando. “Pode ser feio, sem os dentes, do jeito for, o que importa é jogar bem, ser bom de bola.”

Ainda bem. Vai que o Ribéry queira jogar no São Paulo…

Foto: Ailton Cruz/VIPCOMM



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.