Brasil não terá legado para tirar proveito depois da Copa

neymar

“Não vai ter Copa! Não vai ter Copa! Não vai ter Copa!”

Ouvi esses gritos na noite da última terça-feira (15). Estava na avenida Rebouças, dentro de um ônibus que foi pichado por manifestantes, que protestavam contra a realição da Copa do Mundo no Brasil.

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É claro que vai ter Copa. A menos de dois meses do início do torneio, a Fifa, dona da Copa, já se mostrou tranquila às prováveis manifestações que ocorrerão. O governo federal já afirmou que a “Copa das Copas”, como a presidente Dilma Rousseff chama o torneio em seus posts no Twitter, terá R$ 1,9 bilhão investido em segurança.

O problema, a meu ver, é outro.

Não que os protestos legitimem o vandalismo, mas acho válida a reflexão. A Copa acabará em 13 de julho e, a partir daí, o sonho tem tudo para se transformar em pesadelo. O legado que ficará será pouco, muito pouco, diante de tanto dinheiro investido.

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Vejamos os estádios. Dos 12, três ficarão praticamente às moscas após o Mundial: o Mané Garrincha, em Brasília, a Arena Pantanal, em Cuiabá, e a Arena da Amazônia, em Manaus. Isso sem falar na Arena das Dunas, em Natal, e na Arena Pernambuco, em Recife (região que já tem três estádios e, agora, tem o quarto em São Lourenço da Mata, a 19km da capital pernambucana).

Mesmo que estejam prontos por dentro – o que não é o caso do Itaquerão e da Arena da Baixada -, faltam obras no entorno e intervenções de mobilidade urbana. Ou seja: o estádio está lá. Cada um se vire para chegar lá. Trânsito caótico já está incluso no pacote. Por isso, será feriado na maior parte das cidades-sedes nos dias de jogos.

Abrindo um pouco mais o espectro: o avanço no turismo foi nulo. E não sou eu que estou dizendo.

“Quase nada foi feito para promover o turismo.O governo preferiu acreditar que o Brasil se venderia sozinho. Não é o suficiente”, afirmou Roland Bonadona, executivo que comanda a rede Accor de hotéis, em entrevista à revista “Exame”.

O Brasil, de fato, não mostrou potencial para se vender sozinho. Pior: vendeu imagens péssimas.

O presidente do São Paulo até esta quarta-feira (16), Juvenal Juvêncio, resumiu bem a situação à “Folha de S.Paulo”: “A imagem da Copa no Brasiil é de senhoras assaltadas no Rio de Janeiro”, em referência à uma mulher que foi roubada durante entrevista à TV Globo.

Foto: vipcomm



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.