Jon Jones é apenas um Maradona. Só Anderson Silva é o Pelé do MMA

Não podemos comparar Jon Jones com Anderson Silva. Seria tão injusto quando falar que Maradona foi tão bom ou melhor que Pelé. Jones, no máximo, pode ser comparado a Vitor  Belfort, outro grande lutador brasileiro.

Fenômeno é um adjetivo que se encaixaria bem a Jon Jones. Recordista de defesas de cinturão na complicada categoria meio-pesado (foram 6 até agora), o jovem de 26 anos é realmente um cara diferente, assim como sempre foi Vitor Belfort. Mas não, ele nunca será imbatível, como sempre foi Anderson Silva.

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Falo isso na manhã seguinte a uma das melhores lutas que já vi no UFC. Jon Jones apanhou demais do (desconhecido até então pra maioria) sueco Alexander Gustafsson. Sério. O estado da cara do campeão na foto mostra o quanto ele tomou de porrada.

Para quem achava que ele era quase imbatível (eu, por exemplo), a luta de ontem foi reveladora. Jones pode sim ser vencido. Jones tem sim um jogo previsível, e se os adversários fizerem o mesmo tipo de estudo que Gustafsson fez, ‘quebrando’ o estilo de Jon em várias partes e analisando cada uma delas, eles podem derrubar o moleque.

Na noite de ontem lembrei que Vitor Belfort também era assim no início de carreira. Um furacão. Um cara com uma força descomunal, explosivo, imprevisível, quase imbatível. Tinha sido o mais novo campeão do UFC até Jones tirar esse recorde dele, 14 anos depois.

Só que, ao contrário do campeão, Vitor pegava caras muito, mas muito melhores do que os adversários de hoje em dia. Ele bateu algumas das maiores lendas que esse esporte já teve quando todos estavam no auge. Randy Couture, Wanderlei Silva, Rich Franklin, Tank Abbot, entre outros, sofreram nas mãos dele. Foi campeão tanto nos pesados quando na categoria de Jones, os meio-pesados.

A situação do garotão americano é parecida. Entre suas vítimas estão também algumas lendas em atividade, como Maurício Shogun, Rashad Evans e Quinton Jackson. Todos veteranos, ex-campeões e que, sinceramente, têm se arrastado nas últimas lutas.

Ele também bateu Lyoto, um adversário realmente difícil. E quase, mas foi por muito pouco mesmo, não foi finalizado por Belfort aos 35 anos! Os caminhos são parecidos sim, ambos bem precoces.

Mas, por favor, vamos deixar Anderson Silva fora disso. Ele está acima. Nós comparamos Pelé com Maradona? Não, né? Maradona está para Zico assim como Jones está para Vitor Belfort. Aí sim. Pelé, esse sim, está mais para Anderson Silva.

E olha que eu nem gosto tanto do que o Anderson tem feito no octógono. Ele me irrita, assim como tira do sério todos os brasileiros amantes de MMA. Mas é inegável que o que ele já fez ali em cima (tirando os momentos em que a gente quer mais que o adversário encha a cara dele de porrada) foi histórico, inigualável.

Eu tenho pra mim que ele não queria vencer a luta contra o Weidman. É apenas a minha opinião. Isso acontece sempre no boxe, uma derrota seguida por uma revanche bem amarrada rende muito, muito mais dinheiro do que uma vitória. Que seria apenas mais uma vitória. E o que viria depois?

Tenho pra mim também que o Spider vai espancar Weidman na revanche. E vencerá também a terceira luta entre eles, quando encerrá apoteoticamente a mais bem sucedida trilogia do UFC nos últimos anos.

Anderson só apanhou de verdade uma vez. Foi de Chael Sonnen. Com uma costela quebrada. E com a certeza de que só venceria se fosse no jiu-jitsu, dos irmãos Nogueira, que foi achincalhado pelo babacão americano antes da luta. Anderson entrou no octógono pra fazer apenas uma coisa: finalizar. E foi assim que ele fez.

Jones quase perdeu para Belfort e foi espancado por um sueco tão grande quanto ele. Mostrou que terá problemas se subir pra categoria dos pesados, onde os caras são altos e batem muito mais forte que Gustafsson.

Anderson está acima disso tudo. Você concorda?

Eu gostaria mesmo é de ver uma superluta entre Jon Jones e outro brasileiro: Junior Cigano.

 

 

 



Redação do Torcedores.com